Do Micro Ao Macro
G20 debate desafios enfrentados por mulheres empreendedoras no Brasil
Especialistas discutem barreiras que impactam o empreendedorismo feminino e caminhos para fortalecer a presença das mulheres no mercado
A reunião do G20, no Rio de Janeiro, incluiu o empreendedorismo feminino como tema de debate para fomentar inclusão e desenvolvimento econômico.
Segundo pesquisa da FIA Business School, em 2023, 38% dos cargos de liderança no Brasil eram ocupados por mulheres. Apesar desse avanço, as mulheres representam apenas 34% dos empreendimentos no país, segundo o Sebrae.
Além disso, no ecossistema de inovação, a participação é ainda menor. Dados do Distrito indicam que apenas 4,7% das startups são fundadas exclusivamente por mulheres.
Diversidade no mercado de investimentos
Erica Fridman, gestora do Sororitê Fund 1, afirma que a diversidade em equipes de investimento pode revelar oportunidades negligenciadas.
Ela acredita que aumentar a presença feminina no mercado de investimentos é estratégico para o crescimento. Segundo Erica, “as mulheres têm capacidade de identificar oportunidades que passam despercebidas em ambientes menos diversos”.
Seu fundo é um exemplo dessa abordagem, focando em startups lideradas por mulheres em estágio inicial.
Políticas públicas podem reduzir barreiras
Carine Roos, CEO da Newa, destaca que as barreiras enfrentadas por mulheres empreendedoras no Brasil são agravadas por desigualdades de gênero, raça e classe.
De acordo com ela, questões como acesso ao crédito, inclusão digital e divisão de responsabilidades de cuidado exigem atenção específica. “Essas limitações dificultam o crescimento e a inovação dos negócios liderados por mulheres”, explica Carine.
Importância do networking para mulheres líderes
Para Laís Macedo, presidente do Future Is Now, a falta de representatividade em redes de liderança é um obstáculo significativo.
Ela reforça que é necessário aumentar a presença feminina em cargos estratégicos. Segundo Laís, isso inspira outras mulheres e cria oportunidades para avanços no mercado.
Redes de apoio fortalecem o empreendedorismo feminino
Nara Iachan, CMO da Loyalme by Cuponeria, acredita que redes de apoio são essenciais para enfrentar os desafios do mercado.
De acordo com ela, essas conexões também servem como referência para novas empreendedoras, mostrando que o sucesso é possível.
Disparidade exige maior esforço das mulheres
Ana Carolina Gozzi, CO-CEO da Compre & Alugue Agora, destaca que mulheres enfrentam cobranças constantes para se provarem no mercado.
Ela observa que, mesmo com currículos impecáveis, elas ainda lidam com desconfiança em um ambiente desigual.
Apoio ao empreendedorismo feminino em impacto social
Alcione Pereira, CEO da Connecting Food, aponta que 62% dos projetos no Pacto Contra a Fome são liderados por mulheres.
Ela defende maior acesso a recursos para essas iniciativas, que contribuem para um futuro mais sustentável e inclusivo.
Equilíbrio entre vida pessoal e profissional é desafio constante
Mariane Takahashi, CEO da Abstartups, afirma que conciliar negócios e vida pessoal é um desafio comum para empreendedoras.
Ela enfatiza que cuidar do bem-estar é indispensável para manter a saúde física e emocional durante a jornada empreendedora.
Representatividade feminina nos investimentos ainda é baixa
Itali Collini, da Potencia Ventures, ressalta que mulheres têm pouca participação como líderes de empresas que recebem grandes aportes.
Segundo ela, criar incentivos e caminhos específicos para startups lideradas por mulheres é uma solução importante.
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