Política
MP-MG denuncia Alexandre Kalil por improbidade administrativa
O ex-prefeito de Belo Horizonte nega as acusações e diz que ‘quem tem medo de investigação é bandido’
O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (sem partido), por improbidade administrativa. O órgão pede que ele se torne inelegível por 14 anos.
Segundo o MP-MG, o então prefeito teria feito a empresa Perfil 525, contratada pelo município, a custear uma pesquisa eleitoral em 2021 para testar seu nome para o governo do estado.
De acordo com os documentos, o financiamento da pesquisa seria uma condição imposta por Kalil para a renovação do contrato de publicidade no valor de 46 milhões de reais para aquele ano. Para o Ministério Público, isso se configuraria como um benefício pessoal ao ex-prefeito e caracterizaria o crime de improbidade.
O empresário Cacá Moreno, dono da empresa, Adalclever Lopes, então secretário de Governo de Belo Horizonte, e Alberto Lage, ex-chefe de gabinete de Kail, também são alvos da ação do MP. Adriana Branco, que continua atuando na administração municipal, no cargo de Secretária de Esportes da gestão de Fuad Noman (PSD), também foi denunciada.
“O réu Alexandre Kalil, no exercício do cargo de Prefeito Municipal de Belo Horizonte, recebeu a indevida vantagem econômica, consistente em uma pesquisa eleitoral para cargo eletivo de Governador, no valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais), paga por Cacá Moreno”, diz o documento do MP.
O órgão pede, além da inelegibilidade, o ressarcimento integral dos valores obtidos pela empresa Perfil 252 calculados sobre o montante de 103,5 milhões de reais em contratos assinados e renovados entre 2021 e 2023
Em nota, Kalil afirma que foi procurado pelo MP-MG para fazer um acordo que evitaria o nascimento do processo, mas se negou pois nunca praticou nada ilegal. “Como já disse em outras ocasiões, quem tem medo de investigação é bandido. Graças a Deus, não é o meu caso”, disse.
A empresa Perfil 252 também nega irregularidades, afirmando que atendeu a prefeitura de 2010 a 2023 e “nunca teve qualquer relação comercial de qualquer natureza com o Sr. Alexandre Kalil ou com qualquer outro agente público municipal, estadual ou federal”, disse.
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