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O caminho de Boulos para enfrentar Nunes no segundo turno, segundo João Cezar de Castro Rocha

“Foi uma estratégia equivocada Boulos tentar passar uma imagem estadista conciliador à la Lula em 2002”, diz o historiador

O caminho de Boulos para enfrentar Nunes no segundo turno, segundo João Cezar de Castro Rocha
O caminho de Boulos para enfrentar Nunes no segundo turno, segundo João Cezar de Castro Rocha
Guilherme Boulos discursa após o primeiro turno em São Paulo. Foto: Leandro Paiva/ @leandropaivac
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O historiador João Cezar de Castro Rocha afirmou nesta segunda-feira 7, em entrevista a CartaCapital, que Guilherme Boulos (PSOL) adotou uma estratégia equivocada no primeiro turno da eleição de São Paulo ao tentar reproduzir uma campanha como a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2002.

Para o segundo turno, diz Rocha, é importante que Boulos e o conjunto do campo progressista retomem a luta ideológica a fim de tentar derrotar o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Apenas 25 mil votos separaram Nunes e Boulos. Além disso, o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) ficou a menos de 60 mil votos de tirar do segundo turno o deputado do PSOL.

“Foi uma estratégia equivocada Boulos tentar passar uma imagem estadista conciliador à la Lula em 2002. Quando Lula realizou isso, tinha 22 anos de fundação do PT e três décadas na vida brasileira, começando como sindicalista no ABC”, avalia Rocha. “A estratégia para não ter a rejeição que teve na eleição com Bruno Covas [em 2020] talvez tenha passado do ponto.”

João Cezar de Castro Rocha foi o convidado do programa Direto das Eleições, no canal de CartaCapital no Youtube. Ele é autor das obras Guerra Cultura e Retórica do Ódio (2021) e Bolsonarismo, da Guerra Cultural ao Terrorismo Doméstico (2023).

Daqui até 27 de outubro, projeta o professor, não seria razoável apostar em uma campanha que chamasse Nunes de “fascista”, a despeito de ele contar com o apoio de Jair Bolsonaro (PL) e de outros expoentes da extrema-direita, em especial sem Marçal na disputa.

Por isso, segundo Rocha, é fundamental recorrer a uma disputa ideológica nas próximas três semanas. Um exemplo seria apontar a letargia da gestão de Nunes até o ano eleitoral, quando deu início a um “tsunami de obras”, e marcar a diferença de um eventual governo progressista em relação a temas como a tarifa zero nos ônibus – atualmente, disponível apenas aos domingos.

“Boulos poderia dizer que utilizaria os recursos disponíveis para propor uma revolução real. Se São Paulo conseguisse ter um transporte público sério, com subsídios, para ser tarifa zero todos os dias, isso colocaria no bolso do trabalhador um dinheiro incrível”, sugeriu. “A esquerda democrática tem de retomar, sem nenhum pudor, a luta ideológica.”

Em seu primeiro discurso após os resultados de domingo, Boulos reforçou a ligação entre Nunes e Bolsonaro, mas afirmou que pretende dialogar com todos os que votaram nele e com aqueles que optaram por outro candidato.

“A enorme maioria votou pela mudança e agora, nesse segundo turno, é isso que estará em jogo”, declarou, ao lado de sua vice, Marta Suplicy (PT), e de aliados políticos.

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