Política

Pablo Marçal pode ser preso após laudo falso contra Boulos? Especialista responde

Candidatura do ex-coach não está ameaçada, no momento, mas, caso eleito, cumprimento do mandato pode estar em risco

Pablo Marçal pode ser preso após laudo falso contra Boulos? Especialista responde
Pablo Marçal pode ser preso após laudo falso contra Boulos? Especialista responde
O empresário Pablo Marçal (PRTB). Foto: Globo/Renato Pizzutto
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O candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), virou alvo de um pedido de prisão pela campanha de Guilherme Boulos (PSOL), após publicar um laudo falso na tentativa de associar o psolista ao uso de drogas. No entanto, ainda que a conduta do candidato seja questionável, uma possível prisão do ex-coach não deve acontecer no curso das eleições municipais, que deve ser finalizada no dia 27 de outubro, em caso de a disputa ir a um segundo turno.

Em conversa com a reportagem de CartaCapital, o advogado Michel Saliba, que atua na área eleitoral, esclareceu que há uma regra expressa no Código Eleitoral que proíbe a prisão de candidatos 15 dias antes do pleito. A prisão só valeria em caso de flagrante, o que garantiria uma excepcionalidade à regra eleitoral.

Ainda assim, o especialista afirmou que não fica descartada a adoção de possíveis medidas cautelares contra os demais envolvidos na farsa, caso do responsável pela clínica citada no documento falso.

“Poderiam ser adotadas medidas cautelares, como busca e apreensão de materiais, acesso a aparelhos telefônicos, a depender da necessidade da investigação”, exemplificou Saliba.

Neste sábado 5, a Polícia Federal anunciou a abertura de um inquérito para apurar o caso, que terá ao centro a análise do documento por peritos da PF.

Especificamente sobre o caso de Marçal, o advogado coloca que qualquer medida judicial contra o candidato tem que ser proposta dentro do que prevê uma investigação judicial eleitoral, que pode ser somada a representações pautadas no que prevê o artigo 96 A, da Lei das Eleições, que prevê reclamações em caso do descumprimento da legislação.

“Essas ações, conjugadas, poderiam levar a uma cassação do registro de sua candidatura e, por conseguinte, do diploma e do mandato, caso ele seja eleito”, explicou o especialista eleitoral, deixando claro que isso deve ser decidido somente após as eleições.

No momento atual, no entanto, a candidatura do candidato do PRTB não corre risco, já que ele teve seu registro de candidatura deferido.

“Não há medida sumária de cassação de registro sem abertura do contraditório, sem a produção de provas. Temos que levar em consideração que, o que está em jogo é a publicação de um documento falso, então isso demandaria oitiva de testemunhas, produção de provas testemunhais e documentais, inclusive pericial. O curso dessa investigação judicial eleitoral não invalida a sua candidatura”, esclareceu Saliba.

Mas o advogado frisa que, caso Marçal seja eleito, é grande a chance de que ele não cumpra o seu mandato, tendo em vista o ato cometido.

“Pela moldura do quadro, ainda que ele seja eleito, vamos considerar esse absurdo, dificilmente ele consegue consolidar o seu mandato tamanho o abuso nas condutas que ofendem as legislações eleitorais. Eu vejo a possibilidade de cassação do Pablo Marçal a curto, médio prazo, como algo muito concreto”, cravou o especialista. “Ele ultrapassou todo e qualquer limite de um candidato que pretende disputar dentro de um regime democrático, balizado pelas normas constitucionais”.

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