Entrevistas

De olho no 2º turno, campanha de Boulos descarta pedir ‘voto útil’ a eleitores de Tabata

Rui Falcão, principal líder petista na campanha do psolista, disse a CartaCapital projetar o apoio de eleitores do PSB e do PSDB contra Nunes ou Marçal

De olho no 2º turno, campanha de Boulos descarta pedir ‘voto útil’ a eleitores de Tabata
De olho no 2º turno, campanha de Boulos descarta pedir ‘voto útil’ a eleitores de Tabata
Ricardo Nunes, Tabata Amaral, Guilherme Boulos e Pablo Marçal. Fotos: Lourival Ribeiro/Divulgação SBT e Rogerio Pallatta/Divulgação SBT
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O deputado federal licenciado Rui Falcão, principal liderança do PT diretamente envolvida na campanha de Guilherme Boulos (PSOL) à prefeitura de São Paulo, descartou nesta segunda-feira 23 a possibilidade de apelar aos eleitores de Tabata Amaral (PSB) e José Luiz Datena (PSDB) pelo chamado “voto útil” contra Ricardo Nunes (MDB) e Pablo Marçal (PRTB) no primeiro turno.

O “voto útil” é, em resumo, uma estratégia pela qual um eleitor escolhe um candidato que não necessariamente é a sua primeira opção, a fim de evitar um “mal maior”.

De acordo com uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta segunda-feira 23, Tabata tem quase 11% e Datena cerca de 7% das intenções de voto, a duas semanas do primeiro turno. Em uma disputa tão acirrada entre Boulos, Nunes e Marçal, trata-se de uma fatia potencialmente decisiva do eleitorado.

O deputado federal Rui Falcão em evento dos 30 anos de CartaCapital, em Brasília, em 14 de maio de 2024. Foto: Divulgação/CartaCapital

O risco de apostar em um chamado aberto ao “voto útil”, porém, é queimar pontes com os partidos dos candidatos prejudicados, dificultando ou inviabilizando uma aliança no segundo turno. No caso do PSB de Tabata, o cenário é ainda mais delicado, uma vez que a legenda abriga o vice-presidente Geraldo Alckmin e controla dois ministérios.

“Não vamos fazer [campanha pelo “voto útil”], nem nunca fizemos. Cada partido tem direito de apresentar seus nomes e fazer a disputa”, disse Rui Falcão ao programa Direto das Eleições desta segunda, transmitido pelo canal de CartaCapital no YouTube.

O ex-presidente do PT projetou, porém, contar com Tabata e Datena em um eventual segundo turno entre Boulos e um candidato da direita (ou da extrema-direita).

“Nossa expectativa é que caso ela não chegue ao segundo turno, possamos ter uma parceria para derrotar o atual prefeito”, enfatizou Falcão em referência a Tabata. Sobre Datena, o deputado petista disse até compreender – mas sem justificar – a cadeirada desferida contra Marçal em um debate, dado o nível da “provocação no campo pessoal”.

Um exemplo mencionado por  Rui Falcão é a conduta de Simone Tebet (MDB) em 2022: foi a terceira colocada no primeiro turno presidencial e declarou apoio a Lula (PT) contra Jair Bolsonaro (PL) na segunda votação. Desde o início do governo, ela chefia o Ministério do Planejamento.

Se rechaça qualquer possibilidade de pedir diretamente o voto de eleitores de Tabata e Datena no primeiro turno, Falcão ironiza Ricardo Nunes e seu principal aliado na campanha, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“As pesquisas confirmam a nossa ida para o segundo turno e isso é admitido até pelo governador, que faz o ‘voto útil’ dizendo que só o atual prefeito poderia nos derrotar no segundo turno”, diz o deputado. “Desde agosto do ano passado, mantemos uma posição de liderança, isolada ou compartilhada, apesar de toda a máquina do prefeito.”

No início de setembro, a direção nacional do PT depositou 30 milhões de reais na campanha de Boulos, com recursos provenientes do chamado Fundo Especial, também conhecido como Fundo Eleitoral. O montante já era esperado, uma vez que os petistas compõem formalmente a chapa, com Marta Suplicy na vice.

Esta é a primeira vez desde a redemocratização que o PT não tem um postulante próprio na capital paulista. A aliança com Boulos é fruto de um acordo costurado em 2022, quando o deputado federal retirou sua candidatura ao governo paulista e apoiou Fernando Haddad (PT), derrotado no segundo turno por Tarcísio.

Assista à íntegra da entrevista:

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