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Médico e ex-jogador de futebol brasileiro

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Pretas no topo

Rebeca Andrade e Beatriz Souza, as duas ganhadoras de medalhas de ouro até aqui, têm muito a ensinar ao Brasil

Pretas no topo
Pretas no topo
Futebol. A seleção feminina está na final – Imagem: Pascal Guyot/AFP
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A mulher brasileira, mais uma, indica o caminho da redenção do nosso esporte e, quem sabe, da nossa sociedade.

As atletas brasileiras, até a quarta-feira 7, tinham sido responsáveis por nove das 13 medalhas conquistadas pelo País em Paris.

A principal estrela foi a majestosa Rebeca Andrade que, aos 25 anos, conquistou quatro medalhas – uma de ouro, duas de prata e outra de bronze

Antes do ouro de Rebeca, já havia acontecido a apresentação das atletas que conquistaram a medalha por equipes.

O resultado havia contaminado as crianças iniciantes que, acompanhando a transmissão também, não conseguiam parar de pular.

A lista das vencedoras é grande e tem, ao lado de Rebeca, outro destaque: a judoca Beatriz Souza, medalha de ouro na categoria acima de 78 quilos.

Em sua primeira participação em uma Olimpíada, a atleta que treina no Clube Pinheiros, em São Paulo, bateu, na final, a israelense Raz Hershko, segunda do ranking mundial.

Ainda no judô, outra mulher brilhou: Larissa Pimenta, que levou o bronze após derrotar a italiana Odette Giuffrida na disputa pelo terceiro lugar.

Já a judoca Rafaela Silva, embora não tenha conseguido o pódio no individual, saiu premiada na disputa por equipes.

A lista não acaba: Beatriz Ferreira ficou com a prata no boxe; a surfista Tatiana Weston-Webb se tornou a primeira brasileira medalhista da modalidade; e nossa já querida Rayssa Leal ganhou o bronze no skate.

Fico também muito impressionado com o destaque daqueles atletas que, mesmo com empenho e dedicação e até títulos conquistados anteriormente, acabam ficando sem a medalha de bronze, muitas vezes, por um triz. O esporte sempre tem muito a ensinar.

E, bem, chegamos, também por meio das mulheres, ao assunto que costuma ser central neste espaço: o futebol

A seleção brasileira feminina marcou definitivamente essa Olimpíada com um comportamento que deve servir de farol para a recuperação do nosso futebol.

A dedicação integral e a disposição de lutar para alcançar as classificações conseguidas – sempre com a necessidade de entrega total até o fim – vem espantando a todos.

E não pode deixar de ser mencionado o tempo de acréscimo, que torna essa luta muito mais difícil.

Isso deve dever-se a novas orientações dos responsáveis pelas arbitragens em decorrência do excesso de tempo de bola parada no curso normal dos jogos.

Além de tudo, ainda têm ocorrido prorrogações motivadas pelos empates no tempo normal.

A vitória categórica da seleção brasileira sobre a seleção francesa, dona da casa, indicava um favoritismo que se confirmou na partida contra a Espanha.

Esse último jogo plantou nos torcedores um reconhecimento contagiante.

Mais uma vez, chegamos à final do futebol feminino olímpico contra as norte-americanas, com um time bastante exigido até aqui, mas, ao mesmo tempo, muito motivado.

O desafio, até a final, no sábado 10, é recuperar fisicamente o grupo desgastado, mas que conseguiu, com uma coesão admirável e sem algumas jogadoras fundamentais, chegar à final.

Cabe dizer, inclusive, que as substitutas têm mostrado completo entrosamento e dedicação assombrosa.

A seleção feminina, nestes jogos, está cumprindo o papel de mostrar o que está faltando ao futebol masculino.

E Paris 2024 também se fixará como um marco da presença das mulheres pretas no esporte.

Rebeca Andrade, com toda a sua elegância e altivez, quando questionada sobre racismo disse a frase que devemos repetir: “Preta no topo e pronto”. •

Publicado na edição n° 1323 de CartaCapital, em 14 de agosto de 2024.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Pretas no topo’

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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