Política
A nova tentativa de Bolsonaro de se livrar no STF do escândalo das joias
Indiciado pela PF, o ex-presidente teme uma denúncia por parte da PGR
A defesa de Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira 2 o arquivamento do inquérito sobre a venda de joias sauditas recebidas pelo governo brasileiro, em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Indiciado pela Polícia Federal, o ex-presidente teme uma denúncia da Procuradoria-Geral da República.
Na nova solicitação, os advogados miram Lula (PT) e alegam que casos de presentes recebidos por outros presidentes não chegaram à esfera penal. Segundo a peça, Bolsonaro não praticou ilicitudes e “meramente utilizou-se de bens integrantes de seu patrimônio pessoal”.
Eles se baseiam na classificação atribuída pelo Gabinete Adjunto de Documentação Histórica da Presidência e argumentam que o ex-capitão não poderia ser responsabilizado por um eventual “equívoco” do órgão.
Outra alegação é que a discussão sobre o recebimento de presentes por presidentes ainda aguarda um julgamento definitivo no Tribunal de Contas da União. Em última instância, os advogados esperam retirar o inquérito da PGR e do STF e levá-lo à primeira instância, especificamente à Justiça Federal em Guarulhos (SP), onde a investigação começou.
A PF enquadrou Bolsonaro em três crimes no relatório final do inquérito: associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato.
No documento, enviado ao ministro do STF Alexandre de Moraes, os investigadores detalham a cronologia do esquema: o recebimento dos bens por Bolsonaro, o deslocamento e a venda nos Estados Unidos, e a operação deflagrada para recuperar os objetos após o caso entrar na mira da Justiça.
O primeiro delito atribuído pelos investigadores ao ex-presidente é peculato – quando um agente se apropria indevidamente de bens públicos. O relatório cita ao menos dois kits de joias que teriam sido “subtraídos diretamente” com o objetivo de vendê-los no exterior.
“Os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”, diz o documento.
Os gastos de Bolsonaro durante a viagem aos Estados Unidos, entre o fim de 2022 e o início de 2023, constam do material apreendido pela PF em posse do ex-ajudante de ordens Marcelo Câmara. Antes de deixar o Brasil, na antevéspera da posse de Lula, o ex-capitão transferiu 800 mil reais da sua conta no Banco do Brasil para uma conta no BB Américas.
Ao deixar os EUA, Bolsonaro possuía o mesmo valor em conta, um indicativo de que teria utilizado apenas dinheiro em espécie para bancar a estadia no exterior. Esse método, concluiu a PF, é “uma das formas mais usuais para reintegrar o ‘dinheiro sujo’ à economia formal, com aparência lícita”. Estaria, portanto, configurado o crime de lavagem de dinheiro.
Na sequência, ao imputar o crime de associação criminosa a Bolsonaro, a PF argumentou que ele tinha “plena ciência” do esquema de venda de joias e presentes ao menos desde 2019.
Ele teria agido não apenas na coordenação do envio dos itens para o exterior e na tentativa de reaver os objetivos apreendidos pelo Fisco, mas para desviar o foco da investigação e ocultar o dinheiro ilícito.
“Conclui-se que os investigados se associaram para consecução de um fim comum, qual seja, a prática dos crimes de peculato e lavagem de capitais, objetivando o desvio de bens de alto valor patrimonial recebidos em razão do cargo pelo ex-Presidente da República e/ou por comitivas do governo brasileiro, que estavam atuando em seu nome, em viagens internacionais, entregues por autoridades estrangeiras, para posteriormente serem vendidos no exterior.”
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Como Lula e Bolsonaro podem influenciar as eleições em BH, Manaus, Campo Grande, Rio e SP, segundo a Quaest
Por CartaCapital
PGR volta a recomendar a soltura de Felipe Martins, assessor de Bolsonaro
Por CartaCapital
PoderData: 41% acham governo Lula melhor que Bolsonaro; 38% pensam que é pior
Por CartaCapital



