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Observador internacional, Centro Carter diz que eleição da Venezuela ‘não pode ser considerada democrática’

Organização dos Estados Unidos foi convidada pelo Conselho Eleitoral da Venezuela a acompanhar o processo de perto

Observador internacional, Centro Carter diz que eleição da Venezuela ‘não pode ser considerada democrática’
Observador internacional, Centro Carter diz que eleição da Venezuela ‘não pode ser considerada democrática’
Eleitor deposita comprovante de voto na Venezuela. Foto: Federico Parra/AFP
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Um dos principais observadores internacionais do processo eleitoral da Venezuela, o Centro Carter, dos Estados Unidos, afirmou que não pode “verificar ou corroborar” os resultados declarados pelo Conselho Nacional Eleitoral do país (CNE), que proclamou a vitória do atual ocupante do cargo, Nicolás Maduro.

Segundo o Centro Carter, em comunicado divulgado na noite desta terça-feira 30, a eleição venezuelana “não atingiu os padrões internacionais de integridade eleitoral e não pode ser considerada democrática”.

A organização, assim, sobe o tom em relação ao processo. Na segunda-feira, um dia após os venezuelanos irem às ruas, a primeira manifestação da entidade foi um pedido para divulgação das atas de votação, sem se manifestar formalmente sobre a lisura da eleição.

“A eleição aconteceu em um ambiente de restrição de liberdade para atores políticos, ações da sociedade civil e imprensa. Durante todo o processo eleitoral, o CNE demonstrou um claro favorecimento ao titular do cargo”, destacou o Centro Carter, sem citar o nome de Maduro.

A organização dos EUA, que enviou uma missão técnica à Venezuela, disse ainda ter identificado prazos curtos e baixo número de locais para registro de eleitores, excesso de burocracia para votos de cidadãos no exterior e falta de critério para registro de partidos e candidatos de oposição.

O Centro Carter foi convidado pelo próprio CNE a acompanhar a eleição. Antes do pleito, a entidade esclareceu que não teria condições de fazer “uma avaliação abrangente dos processos de votação, contagem e tabulação”, e se dedicaria a acompanhar o funcionamento “da estrutura legal nacional, bem como nas obrigações e padrões regionais e internacionais de direitos humanos”.

Criado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, a entidade acompanha e media processos eleitorais ao redor do mundo.

site oficial do CNE está fora do ar – ao menos para acessos do exterior – desde a segunda-feira 29. O órgão alega ter sido vítima de um ataque hacker vindo do exterior. O caso é investigado pelas autoridades, que chegaram a mencionar o nome de Maria Corina Machado, principal líder da oposição, como uma das suspeitas do atentado cibernético. A acusação veio de Tarek William Saab, procurador-geral do país, um aliado de Maduro.

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