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O que se sabe sobre a ‘sabotagem’ na rede ferroviária francesa na abertura dos Jogos Olímpicos

O episódio afetou 800 mil viajantes, incluindo atletas, horas antes da inauguração dos Jogos Olímpicos de Paris

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O que se sabe sobre a ‘sabotagem’ na rede ferroviária francesa na abertura dos Jogos Olímpicos
Créditos: Ezra Shaw / POOL / AFP
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A companhia nacional de ferrovias francesa SNCF foi vítima nesta sexta-feira 26 de um “ataque maciço”, que incluiu incêndios provocados para “paralisar” sua rede de trens de alta velocidade, afetando 800 mil viajantes, incluindo atletas, horas antes da inauguração dos Jogos Olímpicos de Paris.

A SNCF anunciou na noite desta sexta-feira “uma melhora no tráfego” de trens de alta velocidade para o fim de semana, quando muitos franceses planejam começar as férias, graças à “mobilização excepcional de vários milhares de trabalhadores ferroviários”.

A companhia garantirá a circulação de dois em cada três trens em direção ao oeste e 80% no eixo norte, com atrasos de uma a duas horas nesses dois eixos. Na zona leste, o tráfego será normal.

Entre os danos descobertos na madrugada desta sexta-feira, foram encontrados cortados cabos de fibra ótica que passam perto dos trilhos e garantem a transmissão de informações de segurança para os condutores, assim como incêndios em vários pontos da rede que provocaram o caos.

Trata-se de uma operação de sabotagem “bem preparada”, organizada pela “mesma estrutura”, disse uma fonte próxima à investigação.

A linha de alta velocidade Atlântico, que conecta Paris às regiões da Bretanha, País do Loire e sudoeste, foi a mais afetada. Nenhum trem pôde circular em nenhuma direção até o início da tarde.

A Eurostar, a companhia que conecta Paris, Londres e Amsterdã por trem, teve que abrir mão de um quarto de seus trens nesta sexta-feira.

As pessoas mais afetadas “são os 800 mil viajantes previstos para este fim de semana, que devem chegar aos seus locais de férias”, disse o ministro delegado de Transporte, Patrice Vergriete.

Operação ‘bem preparada’

Os incêndios e danos em vários pontos da rede foram feitos com equipamento especializado. “Não se pode fazer à mão”, disse à AFP Gerard Dué, o prefeito de Croisilles, na região de Calais, uma das localidades afetadas, explicando que um líquido inflamável foi jogado sobre os cabos.

O Ministério Público de Paris abriu uma investigação e mais de 50 pessoas estão trabalhando nela, segundo uma fonte próxima ao caso.

As amostras colhidas nos diferentes locais foram enviadas ao instituto de investigação criminal da gendarmaria nacional para análise urgente, acrescentou a mesma fonte. Até o momento, ninguém reivindicou a ação.

O ataque à rede ferroviária francesa ocorreu apenas algumas horas antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2024 em Paris, quando muitos viajantes planejavam ir à capital.

Quatro trens também transportavam atletas para a cerimônia de abertura, mas “todos os transportes acreditados e de equipes” olímpicas foram mantidos, informou a SNCF.

Na estação de trens de Montparnasse, em Paris, uma das mais afetadas, os corredores estavam lotados de passageiros descontentes, alguns chorando.

Charles Fazio, de 70 anos, um americano da Flórida, foi à estação em busca de informações. “É um desastre infernal, não entendo nada. Temos que ir a Lille amanhã para os Jogos Olímpicos”, lamentou.

Os técnicos ferroviários continuavam trabalhando arduamente nesta sexta-feira para reparar as instalações, um trabalho difícil, dado as centenas de cabos que precisam ser substituídos e revisados.

Na linha de alta velocidade Leste, um fotógrafo da AFP viu meia dúzia de funcionários da SNCF, com macacões laranja, reparando cabos ao lado de um armário metálico na cidade de Vandières.

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