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Líder do Hamas na Cisjordânia morre sob custódia israelense

Autoridades palestinas afirmam que Mustafa Muhammad Abu Ara morreu depois de ser transferido de prisão para hospital e acusam Israel de maus tratos a detentos

Líder do Hamas na Cisjordânia morre sob custódia israelense
Líder do Hamas na Cisjordânia morre sob custódia israelense
Veículos militares israelenses durante operação na Cisjordânia - Foto: Zain Jaafar / AFP
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Um líder do Hamas na Cisjordânia morreu sob custódia israelense após seu estado de saúde piorar, informaram autoridades palestinas e o grupo extremista nesta sexta-feira 26.

Mustafa Muhammad Abu Ara, de 63 anos, morreu depois de ser transferido de uma prisão no sul de Israel para um hospital, de acordo com uma declaração conjunta da comissão palestina de assuntos de detentos e da associação dos prisioneiros palestinos.

“Lamentamos o falecimento do líder e prisioneiro Sheikh Mustafa Muhammad Abu Ara e consideramos a ocupação responsável por seu assassinato por negligência médica deliberada”, disse o Hamas em comunicado.

Abu Ara foi preso em outubro e já sofria de graves problemas de saúde, segundo o órgão palestino e o órgão de vigilância. Durante sua detenção, ele teria sido privado de tratamento médico e submetido a tortura e fome, acrescentaram.

Israel ainda não comentou oficialmente a morte de Abu Ara.

Mortes e violência contra prisioneiros e reféns

Ex-prisioneiros e grupos de direitos humanos acusam Israel de abuso e dizem que pelo menos 18 palestinos morreram nos últimos meses sob custódia israelense. Entre as acusações, estão de espancamentos, ataques de cães, uso prolongado de posições de estresse e agressão sexual desde o início da escalada da guerra em Gaza, em 7 de outubro.

Na ocasião, homens armados liderados pelo Hamas invadiram e atacaram o sul de Israel, matando 1.200 pessoas e levando mais de 250 reféns para Gaza, de acordo com os registros israelenses. Cerca de 120 reféns ainda estão sendo mantidos, embora Israel acredite que um terço deles tenha morrido. Há suspeitas de violência sexual contra esses reféns, segundo apontou a ONU.

As autoridades palestinas acusaram Israel, no mês passado, de travar uma “guerra de vingança” contra os detentos palestinos desde o início do conflito atual entre Israel e Hamas. Na ocasião, militares israelenses disseram que “rejeitam totalmente as alegações sobre o abuso sistemático de detentos”, e disseram agir de acordo com a lei internacional.

Autoridades de saúde de Gaza, território controlado pelo Hamas, afirmam que mais de 39 mil palestinos foram mortos na região desde outubro. A maioria dos 2,3 milhões de habitantes da Faixa de Gaza foi obrigada a se deslocar devido aos combates que destruíram grande parte do enclave e culminaram em um desastre humanitário.

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