Diversidade
Vídeo de agressão impulsiona debate sobre assédio sexual na França
Jovem divulga imagens em que leva soco no rosto após não se calar perante comentários obscenos feitos por um homem diante de um café em Paris
As imagens chocantes da agressão sofrida por uma mulher, diante de um café em Paris, em plena luz do dia, causaram indignação na França e viralizaram nas redes sociais. No vídeo, Marie Laguerre, de 22 anos, é agredida com um soco no rosto por um homem, pouco depois de ela não se calar perante um assédio sexual dele.
As imagens mostram Laguerre, usando um vestido vermelho, caminhando diante do café e cruzando na calçada com um homem vestido de camiseta preta e jaqueta lançada sobre o ombro.
O homem diz algo à mulher, que responde. Segundo Laguerre, ele fez comentários obscenos, e ela respondeu com “cale a boca”.
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Ele então caminha mais alguns metros, pega um cinzeiro de uma mesa do bar e joga na direção de Laguerre, que não aparece mais no vídeo.
Pouco depois, ele retorna e vai ao encontro dela, que é de novo visível no vídeo. O homem então a agride com um soco no rosto que lança a mulher contra uma divisória de vidro do café. Clientes reagem e abordam o homem. Eles discutem com ele, que por fim vai embora.
O vídeo foi divulgado nas redes sociais pela própria Laguerre, que obteve as imagens do dono do café.
O incidente ocorreu na terça-feira 24 por volta das 18h45 (horário local), perto do Parque de Buttes-Chaumont, no 19º arrondissement (distrito), no norte de Paris. Laguerre relatou a um jornal parisiense que o cinzeiro arremessado quase a acertou na cabeça.
Promotores parisienses abriram um inquérito, mas o agressor ainda não foi identificado.
O vídeo reavivou o debate originado pelo movimento #MeToo na França, que já dera início a um processo de endurecimento das penas para agressões sofridas por mulheres, incluindo assédio sexual nas ruas ou no transporte público.
Um projeto de lei, patrocinado pela ministra da Igualdade, Marlène Schiappa, é parte dos esforços do presidente Emmanuel Macron para combater o sexismo. A proposta prevê punições para agressões como comentários sobre a aparência e a roupa de mulheres, assobios, perguntas indiscretas, perseguição nas ruas e tirar fotos de partes íntimas em público.
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