Política
Lula elogia trabalho de Juscelino, apesar de indiciamento, e defende aguardar conclusão do processo
Em entrevista no Maranhão, o presidente afirmou que ‘todo cidadão é inocente até que se prove o contrário’
O presidente Lula (PT) disse estar feliz com o trabalho realizado pelo ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União), indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, e afirmou que ele tem direito de “brigar para provar sua inocência”.
Em entrevista à Rádio Mirante News, no Maranhão, nesta sexta-feira 21, o petista disse ser necessário aguardar a conclusão do processo, porque “todo cidadão é inocente até que se prove o contrário”.
“Sempre falo aos meus ministros: ‘olha, a verdade absoluta é só você quem sabe, só você e Deus’. Então, quero que me digam: você fez ou não fez? Se fez, peça licença e vá embora. Se não fez, brigue, porque se não brigar a gente é destruído sem ter o direito de defesa”, acrescentou.
Esta é a quarta entrevista do presidente nesta semana. Lula está no Nordeste desde quinta-feira e retorna a Brasília nesta noite.
O relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal concluiu que Juscelino Filho cometeu os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
O pedido de indiciamento ocorreu no âmbito de um inquérito sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares para pavimentação de ruas de Vitorino Freire, no interior do Maranhão.
A cidade é comandada pela irmã do ministro, Luanna Rezende, que chegou a ser afastada do cargo no ano passado, mas retomou o mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal.
O dinheiro teria sido repassado à Codevasf, estatal responsável por obras hídricas e de infraestrutura no Nordeste, e aplicado em projetos de pavimentação com empresas de fachada, segundo a PF.
Juscelino nega irregularidades. Em nota divulgada após o indiciamento, afirmou que o relatório do inquérito é uma “ação política e previsível”. Disse também que a investigação “concentrou-se em criar uma narrativa de culpabilidade perante a opinião pública”.
O indiciamento acelerou as cobranças pela exoneração de Juscelino. Uma ala do governo defende sua substituição desde que as primeiras reportagens sobre supostas irregularidades foram veiculadas na imprensa. Lula indica, contudo, que uma troca neste momento é improvável.
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