Política

Projeto que regulamenta os cigarros eletrônicos no Brasil entra na pauta no Senado

O projeto da senadora Soraya Thronicke tem caráter terminativo, portanto, se aprovado nas comissões da Casa Alta irá direto para a Câmara dos Deputados

Projeto que regulamenta os cigarros eletrônicos no Brasil entra na pauta no Senado
Projeto que regulamenta os cigarros eletrônicos no Brasil entra na pauta no Senado
Soraya Thronicke (Podemos-MS) exibe um cigarro eletrônico no Senado ao defender a regulamentação do produto. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
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O projeto que regula a produção, comercialização, fiscalização e propaganda dos cigarros eletrônicos no Brasil está na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal em reunião agendada para a próxima terça-feira 11. O PL tem caráter terminativo, ou seja, se aprovado em comissões irá direto para a Câmara dos Deputados.

O PL 5.008 de 2023, de autoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), define o conceito dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) — categoria que inclui cigarros eletrônicos e dispositivos similares — e estabelece uma série de exigências para a comercialização do produto, como obrigatoriedade de apresentação de laudo de avaliação toxicológica para o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cadastro na Receita Federal dos produtos fabricados, importados ou exportados, e cadastro no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

No Brasil, a regulamentação dos produtos fumígenos está sob responsabilidade da Anvisa, que desde 2009 proíbe a comercialização, a importação e a propaganda desses produtos. Pela proposta, porém, a Anvisa deverá avaliar, por critérios toxicológicos objetivos, se o cigarro eletrônico oferece risco inerente à saúde igual ou menor que o do cigarro convencional.

Na justificativa apresentada pela senadora, o principal argumento é de que, apesar de proibido, o comércio de cigarros eletrônicos é uma realidade.

“A crescente utilização dos cigarros eletrônicos têm acontecido à revelia de qualquer regulamentação. Do ponto de vista da saúde, não há controle sanitário sobre os produtos comercializados e as embalagens não apresentam advertências ou alertas sobre os riscos de sua utilização”, diz Soraya Thronicke.

Em seu relatório favorável ao projeto, o senador Eduardo Gomes (PL-TO) também citou estatísticas sobre o elevado consumo de cigarros eletrônicos no Brasil e classificou a proibição como ineficaz. Ele argumenta que “a regulamentação do mercado se faz ainda mais necessária, para proteger o consumidor de produtos adulterados e para permitir legalizar a fabricação e a importação. Uma vez na legalidade, as empresas fabricantes, comercializadoras, importadoras e exportadoras terão mais facilidade em ampliar seus negócios, gerando empregos e renda, além de aumentar a arrecadação fiscal pelo governo”. O relator acolheu emenda que dobra de 10 mil reais para 20 mil reais a multa para venda de cigarros eletrônicos a menores de 18 anos.

Depois da CAE, o projeto será analisado pelas comissões de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC) e de Assuntos Sociais (CAS), cabendo a esta a decisão terminativa: se aprovado na comissão e não houver recurso de Plenário, o texto seguirá direto para a Câmara dos Deputados.

(Com informações de Agência Senado)

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