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Reino Unido: conservadores prometem lei para que apenas o sexo biológico determine acesso a espaços públicos
Em uma tentativa desesperada de diminuir a desvantagem para os trabalhistas, os conservadores começam a orientar campanha para posições mais à direita, especialmente no tema da imigração
O Partido Conservador no poder emendará a Lei de Igualdade no Reino Unido caso vença as eleições de 4 julho para que somente o sexo biológico determine quem pode usar os espaços diferenciados por gênero, anunciou uma de suas ministras nesta segunda-feira (3).
Em caso de vitória nas eleições, “deixaremos claro que ‘sexo’ na Lei de Igualdade significa sexo biológico”, escreveu Kemi Badenoch, ministra da Mulher e da Igualdade do atual governo, em um artigo de opinião publicado no Times.
“Sexo e gênero, termos que antes eram usados indistintamente, agora significam coisas diferentes”, acrescentou a ministra.
Kemi Badenoch afirmou que esse “esclarecimento” protegeria melhor as mulheres, citando o caso de uma adolescentes estuprada em um banheiro destinado a mulheres por um homem que dizia pertencer ao sexo feminino.
“A segurança das mulheres e das crianças é muito importante para permitir que se persista a confusão atual em torno das definições de sexo e gênero”, disse o primeiro-ministro Rishi Sunak em um comunicado do Partido Conservador.
A pouco mais de um mês das eleições, os conservadores, no poder há 14 anos, seguem muito atrás dos trabalhistas, que, em algumas pesquisas, chegam a ter 20 pontos de vantagem.
Em uma tentativa desesperada de diminuir essa desvantagem, os conservadores parecem ter orientado sua campanha para posições mais à direita, especialmente no tema da imigração.
Desde que Sunak anunciou há duas semanas a data das eleições, os conservadores também parecem temer que o partido de extrema-direita Reform UK retire parte de seus votos no pleito.
Por sua vez, em plena campanha eleitoral, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, grande favorito para ser o próximo primeiro-ministro, se comprometeu nesta segunda-feira, a manter a dissuasão nuclear e afirmou que a segurança nacional é “a questão mais importante de nosso tempo”.
O líder da oposição enfatizou que seu partido mudou desde sua esmagadora derrota nas eleições de 2019, quando seu antecessor, Jeremy Corbyn, se mostrou favorável ao desarmamento nuclear.
“Esse Partido Trabalhista está totalmente comprometido com a segurança de nossa nação, com nossas Forças Armadas e, sobretudo, com a nossa dissuasão nuclear”, disse Keir Starmer, que reorientou a sua legenda para posições mais centristas.
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