Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Documentário exalta o centenário de Paulo Vanzolini: de dia, a ciência; à noite, a boemia

Entre a zoologia e a música, ele observou o Brasil real, nas ruas e nas matas

Documentário exalta o centenário de Paulo Vanzolini: de dia, a ciência; à noite, a boemia
Documentário exalta o centenário de Paulo Vanzolini: de dia, a ciência; à noite, a boemia
Foto: Reprodução
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Ele preferia ser considerado não um compositor, mas um homem da noite. Durante o dia, mostrava-se um aguçado e inquieto pesquisador.

Paulo Vanzolini, morto em 2013 e que completaria 100 anos em 2024, era acima de tudo um observador atento do Brasil das ruas e das suas matas – notadamente da Amazônia, para onde viajou diversas vezes a fim de realizar suas pesquisas.

Semanas atrás, a TV Cultura exibiu o documentário inédito Cobras, Lagartos e Música – 100 Anos de Paulo Vanzolini, tratando justamente dessas duas faces do paulistano.

Zoólogo com doutorado em Harvard, nos Estados Unidos, era metódico em seus estudos, centrados em cobras e lagartos, abundantes no país e um campo aberto para estudos.

Nos anos 1990, percorreu mais de 10 mil quilômetros na Amazônia para pesquisar sobre os animais objetos de seus trabalhos, em busca principalmente de espécies ainda não catalogadas. Mostrava-se apaixonado pela região. O documentário apresenta detalhes de seus escritos acadêmicos e revela um homem estudioso e minucioso.

Na música, não foi autor de centenas de canções, mas foi preciso nas descrições daquelas que fez, como era nos laboratórios. Ronda e Volta por Cima (que virou bordão nacional) foram as mais conhecidas.

Da observação da vida boêmia, além de Ronda (“E hei de encontrar/ Bebendo com outras mulheres/ Rolando um dadinho/ Ou jogando bilhar”), sacou canções como Na Boca da Noite, com Toquinho (“Cheguei na boca da noite/ saí de madrugada”), Falso Boêmio (“Porque não é boemia/ trocar noite pelo dia”), entre outras.

Da vida, canções como Praça Clovis, Cara Limpa, No Fim Não se Perde Nada (com Toquinho) e Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena (sua última música).

Foi responsável por recolher e adaptar uma das canções mais belas do folclore nacional: Cuitelinho.

Não lia partituras. Fazia letra e cantarolava a melodia para, na maioria das vezes, o amigo violonista, cantor e compositor Adauto Santos tirar na harmonia do violão e, assim, registrá-la.

Era um cronista. Foi influenciado pela noite, pelo samba tradicional do rádio e pelos sambas de origem rural ouvidos nas ruas da antiga capital paulista.

O documentário apresenta depoimentos de acadêmicos e músicos, além de imagens de acervo sobre sua vida na música e na ciência. O filme resgata falas de Paulo Vanzolini sobre diferentes temas em vários momentos.

O especial de Paulo Vanzolini está disponível no YouTube e este é um bom momento de rever esse brasileiro centenário, com doutorado em ciência e em composição de samba.

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