Diversidade

França pede ‘perdão’ aos homossexuais, perseguidos por 40 anos

O Código Penal francês, entre 1942 e 1982, estabelecia uma idade específica para manter relações homossexuais e aumentava as penas por ato obsceno público cometido por duas pessoas do mesmo sexo

França pede ‘perdão’ aos homossexuais, perseguidos por 40 anos
França pede ‘perdão’ aos homossexuais, perseguidos por 40 anos
Foto: Paulo Pinto
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A França pediu, na noite desta quarta-feira (7), “perdão” aos milhares de homossexuais discriminados por sua orientação sexual entre 1942 e 1982, em meio ao debate do Parlamento que visa reconhecer e reparar os danos sofridos.

“Já é hora (…) de dizer esta noite em nome da República Francesa: perdão”, disse o ministro da Justiça, Eric Dupond-Moretti, à Assembleia Nacional (câmara baixa).

“Perdão às pessoas, aos homossexuais da França que sofreram 40 anos de uma repressão completamente injusta”, continuou o ministro da Justiça, entre aplausos.

Quarenta e dois anos após a descriminalização da homossexualidade, o Parlamento bicameral da França debate uma proposta de lei sobre como reabilitar os homossexuais discriminados entre 1942 e 1982.

O Código Penal estabelecia, na época, uma idade específica de consentimento para manter relações homossexuais e aumentava as penas por ato obsceno público cometido por duas pessoas do mesmo sexo.

Há um consenso entre os franceses sobre o reconhecimento da responsabilidade do Estado, mas, ao contrário dos deputados, o Senado (câmara alta), dominado pela oposição de direita, se opõe a incluir uma reparação financeira na lei.

A iniciativa, ainda em discussão, lançada pelo senador socialista Hussein Bourgi, previa inicialmente a indenização dos homossexuais afetados com 10.000 euros (R$ 53,8 mil).

“O fato de a França pedir desculpas e indenizar envia uma bela mensagem ao mundo”, onde a homossexualidade ainda é perseguida, até com casos de pena de morte, disse Terrence Katchadourian, da ONG Stop Homophobie.

Embora seja difícil indicar o número exato, o especialista Régis Schlagdenhauffen estima 10.000 condenações por violação da idade de consentimento, pelo menos, podendo atingir níveis ainda maiores.

No entanto, Dupond-Moretti alertou que muitas pessoas enfrentarão dificuldades para provar a discriminação. O relator do texto na câmara baixa, Hervé Saulignac, estimou entre 200 e 400 as pessoas que conseguiriam beneficiar-se de uma indenização.

Desde janeiro, a França tem seu primeiro chefe de Governo abertamente homossexual, o primeiro-ministro Gabriel Attal, além de outros políticos, como o chanceler Stéphane Séjourné.

A França descriminalizou a homossexualidade em 1982, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi autorizado quase 30 anos depois, em 2013, após fortes manifestações da oposição.

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