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Congressistas dos EUA apresentam projeto de lei para frear China na América Latina

Se adotado, o projeto “vai permitir que as empresas americanas que atualmente estão na China retornem aos Estados Unidos e ao resto do hemisfério”, argumentam os autores do texto

Congressistas dos EUA apresentam projeto de lei para frear China na América Latina
Congressistas dos EUA apresentam projeto de lei para frear China na América Latina
A China de Jinping e os EUA de Biden reeditam a Guerra Fria, mas a primeira está em melhores condições do que a antiga União Soviética - Imagem: Saul Loeb/AFP
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Congressistas dos Estados Unidos apresentaram nesta quarta-feira (6) um projeto de lei que facilita o investimento e a adesão dos países latino-americanos ao Acordo Estados Unidos-México-Canadá (T-MEC) para contrabalançar a influência da China e reduzir a migração.

O Congresso dos Estados Unidos estima que Washington não está prestando atenção suficiente à América Latina, uma crítica compartilhada por muitos líderes latino-americanos que acabaram fazendo negócios com a China, cada vez mais influente na região e um parceiro comercial inevitável.

O projeto de lei tenta remediar isso através do investimento e da criação de uma cadeia de suprimentos comerciais que geraria empregos em toda a região e, ao mesmo tempo, abordaria as causas da migração, um dos principais problemas para o presidente democrata Joe Biden antes das eleições de novembro.

Se adotado, o projeto “vai permitir que as empresas americanas que atualmente estão na China retornem aos Estados Unidos e ao resto do hemisfério”, afirma a congressista María Elvira Salazar em um vídeo postado na rede social X.

O projeto beneficiaria tanto a América Central quanto a América do Sul, acrescenta Salazar, uma das impulsionadoras do texto bipartidário, juntamente com Adriano Espaillat, Mike Gallagher e os senadores Michael Bennet e Bill Cassidy.

Este projeto de lei criaria um programa de empréstimos dos Estados Unidos para realocação, ou seja, de nearshoring e reshoring, de US$ 60 bilhões (R$ 296,3 bilhões) para transferir empregos da China para os Estados Unidos.

Além disso, estabelece um programa de subsídios para a fabricação de têxteis, dispositivos e equipamentos médicos na América Latina e no Caribe.

Os Estados Unidos devem “enfrentar a influência da China e devolver empregos e investimentos” à região, opina no X Espaillat, que considera o projeto “a legislação mais transformadora” na “história recente”.

O projeto de lei abre caminho para a adesão ao T-MEC para as nações que cumprirem uma série de requisitos.

“Qualquer país latino-americano tem o direito e o poder de aspirar” a fazer parte deste tratado, afirma Salazar.

“O único que eles têm que fazer (…) é seguir as regras do jogo: não corrupção, sim democracia, proteger os direitos humanos, seguir as leis do país, respeitar os tribunais”, esclarece.

A lei se autofinancia “ao promulgar a reciprocidade comercial e fechar nossa lacuna comercial ‘de minimis’ com a China, que causou tanta perda de empregos e dor”, afirma Espaillat.

Os minimis são um esquema que isenta do pagamento de impostos a importação de mercadorias com um valor inferior a um limite que varia de acordo com os países.

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