Cultura

Resolver o básico enigma

Deus existe? Uma das mais antigas perguntas que os seres humanos se fazem encontra 20 preciosas respostas em caixa com dois caprichados volumes

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por Renato Pompeu

Dez provas da existência de Deus


Org. Plínio Junqueira Smith, Alameda, 304 págs., R$ 40


Dez provas da inexistência de Deus


Org. Plínio Junqueira Smith, Alameda, 344 págs., R$ 45

Uma das mais antigas perguntas que os seres humanos se fazem encontra 20 preciosas respostas nesta caixa de dois caprichados volumes. A partir de uma ideia notável do professor universitário de Filosofia Plínio Junqueira Smith, doutor pela USP e com pós-doutorado em Oxford, um dos volumes apresenta dez provas da existência de Deus, formuladas ao longo dos séculos por Aristóteles, Cícero, Sexto Empírico, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Descartes, Malebranche, Berkeley e Hume. O outro volume apresenta dez provas da inexistência de Deus, por Bayle, Diderot, Meslier, Kant, Feuerbach, Nietzsche e Faure, além de Sexto Empírico, Cícero e Hume, que, antecedendo Junqueira Smith, apresentaram provas tanto da existência quanto da inexistência de Deus.

Curiosamente, a prova mais antiga na coletânea da existência de Deus, do século IV a.C., não tem conteúdo religioso, mas rigorosamente racional e científico. É de autoria de Aristóteles, que constata estar tudo em permanente movimento no mundo, devendo existir, portanto, um primeiro motor que dá origem a todo esse movimento. A esse primeiro motor, Aristóteles intitula Deus. Já Santo Anselmo, no século XI, defende a tese de que, no universo, deve existir algo maior do que tudo, não sendo possível conceber alguma coisa maior do que essa outra que é a maior. Esse maior do que tudo é Deus.

É curioso que as provas da inexistência de Deus sejam todas filosóficas, não havendo nenhuma proveniente da observação do mundo material, como fez Aristóteles para provar que Deus existe. As provas mais importantes da inexistência de Deus são, significativamente, oriundas do Iluminismo do século XVIII. Diderot postula que um Deus perfeito não poderia ter criado um mundo tão imperfeito. Já Kant defende que Deus é apenas um postulado da razão pura, uma simples ideia, não podendo de modo nenhum ser afirmada a sua existência fora do pensamento puro.Fazendo um balanço dos dois tipos de respostas, o que se pode dizer é que, para quem tem fé, Deus existe. Para quem não tem fé, Deus não existe. Não se pode provar que Deus existe. Aquilo que podemos provar existente, mais cedo ou mais tarde será algo que poderemos mudar por nossas ações sobre esse algo, e isso inequivocamente mostraria que esse algo não é Deus. Por outro lado, também não podemos provar que Deus não existe, mesmo orque pode haver seres mais inteligentes do que nós em planetas de outras galáxias, que odem ser onipotentes, oniscientes e, até mesmo, onipresentes.

por Renato Pompeu

Dez provas da existência de Deus


Org. Plínio Junqueira Smith, Alameda, 304 págs., R$ 40


Dez provas da inexistência de Deus


Org. Plínio Junqueira Smith, Alameda, 344 págs., R$ 45

Uma das mais antigas perguntas que os seres humanos se fazem encontra 20 preciosas respostas nesta caixa de dois caprichados volumes. A partir de uma ideia notável do professor universitário de Filosofia Plínio Junqueira Smith, doutor pela USP e com pós-doutorado em Oxford, um dos volumes apresenta dez provas da existência de Deus, formuladas ao longo dos séculos por Aristóteles, Cícero, Sexto Empírico, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Descartes, Malebranche, Berkeley e Hume. O outro volume apresenta dez provas da inexistência de Deus, por Bayle, Diderot, Meslier, Kant, Feuerbach, Nietzsche e Faure, além de Sexto Empírico, Cícero e Hume, que, antecedendo Junqueira Smith, apresentaram provas tanto da existência quanto da inexistência de Deus.

Curiosamente, a prova mais antiga na coletânea da existência de Deus, do século IV a.C., não tem conteúdo religioso, mas rigorosamente racional e científico. É de autoria de Aristóteles, que constata estar tudo em permanente movimento no mundo, devendo existir, portanto, um primeiro motor que dá origem a todo esse movimento. A esse primeiro motor, Aristóteles intitula Deus. Já Santo Anselmo, no século XI, defende a tese de que, no universo, deve existir algo maior do que tudo, não sendo possível conceber alguma coisa maior do que essa outra que é a maior. Esse maior do que tudo é Deus.

É curioso que as provas da inexistência de Deus sejam todas filosóficas, não havendo nenhuma proveniente da observação do mundo material, como fez Aristóteles para provar que Deus existe. As provas mais importantes da inexistência de Deus são, significativamente, oriundas do Iluminismo do século XVIII. Diderot postula que um Deus perfeito não poderia ter criado um mundo tão imperfeito. Já Kant defende que Deus é apenas um postulado da razão pura, uma simples ideia, não podendo de modo nenhum ser afirmada a sua existência fora do pensamento puro.Fazendo um balanço dos dois tipos de respostas, o que se pode dizer é que, para quem tem fé, Deus existe. Para quem não tem fé, Deus não existe. Não se pode provar que Deus existe. Aquilo que podemos provar existente, mais cedo ou mais tarde será algo que poderemos mudar por nossas ações sobre esse algo, e isso inequivocamente mostraria que esse algo não é Deus. Por outro lado, também não podemos provar que Deus não existe, mesmo orque pode haver seres mais inteligentes do que nós em planetas de outras galáxias, que odem ser onipotentes, oniscientes e, até mesmo, onipresentes.

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