Cultura
Ética na qualidade
No cinema de gênero road movie e de qualidade a que nos habituamos com Walter Salles, Na Estrada é o filme mais evidente dessas condições
No cinema de gênero road movie e de qualidade a que nos habituamos com Walter Salles, Na Estrada é o filme mais evidente dessas condições e ao mesmo tempo aquele que mais se ressentirá delas. Temos como ponto de partida a obra literária de Jack Kerouac, espécie de bíblia libertária de uma geração a que todos teriam direito a um enfoque próprio. Natural que essa perspectiva seja levada com a adaptação para as telas que estreia sexta 13. Não foi outra a atitude depois da exibição no último Festival de Cannes, onde manifestações dividiram-se entre apreço e desdém. Os adeptos deste sublinhavam a direção careta. Falou-se mesmo em tédio. Salles não tocaria, argumentou-se, a raiz anárquica
de seus personagens.
Em parte, a visão se sustenta. O feitio clássico, conservador se assim se quiser do cineasta se impõe nos argumentos imperativos ao filme. Aquele do abalo da morte do pai de Sal Paradise (Sam Riley), por exemplo, que o lança à aventura pelo oeste americano e, sobretudo, propicia conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund), seu guru de libertação, desgarrado de valores.
É quando o filme vibra. Ao acompanhar o ciclo de ambos até a amizade interrompida, Salles preferirá condicionar seus jovens a uma visão realista e nem tanto heroica ou idealizada promovida pela literatura. Quer discutir, alega, questões como ética e a condição falível do ser humano. O reverso da opção é uma perspectiva mais branda da abertura sexual em que os protagonistas viviam com suas parceiras Marylou (Kristen Stewart) e Camille (Kirsten Dunst). Nessa imbricação, adequar-se a uma exigência de unanimidade seria mesmo impossível.
No cinema de gênero road movie e de qualidade a que nos habituamos com Walter Salles, Na Estrada é o filme mais evidente dessas condições e ao mesmo tempo aquele que mais se ressentirá delas. Temos como ponto de partida a obra literária de Jack Kerouac, espécie de bíblia libertária de uma geração a que todos teriam direito a um enfoque próprio. Natural que essa perspectiva seja levada com a adaptação para as telas que estreia sexta 13. Não foi outra a atitude depois da exibição no último Festival de Cannes, onde manifestações dividiram-se entre apreço e desdém. Os adeptos deste sublinhavam a direção careta. Falou-se mesmo em tédio. Salles não tocaria, argumentou-se, a raiz anárquica
de seus personagens.
Em parte, a visão se sustenta. O feitio clássico, conservador se assim se quiser do cineasta se impõe nos argumentos imperativos ao filme. Aquele do abalo da morte do pai de Sal Paradise (Sam Riley), por exemplo, que o lança à aventura pelo oeste americano e, sobretudo, propicia conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund), seu guru de libertação, desgarrado de valores.
É quando o filme vibra. Ao acompanhar o ciclo de ambos até a amizade interrompida, Salles preferirá condicionar seus jovens a uma visão realista e nem tanto heroica ou idealizada promovida pela literatura. Quer discutir, alega, questões como ética e a condição falível do ser humano. O reverso da opção é uma perspectiva mais branda da abertura sexual em que os protagonistas viviam com suas parceiras Marylou (Kristen Stewart) e Camille (Kirsten Dunst). Nessa imbricação, adequar-se a uma exigência de unanimidade seria mesmo impossível.
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