Opinião
Orgulho resgatado
O 7 de Setembro voltou a ser um dia de união, em que não medimos diferenças partidárias, religiosas, ideológicas ou de nenhum tipo
A chegada do mês de setembro é sempre marcada como um momento de celebrarmos a declaração da nossa Independência. A história nos mostra, porém, que o famoso grito entoado por Dom Pedro I, às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, não foi suficiente para que ali tivéssemos a nossa libertação definitiva dos domínios da Coroa portuguesa.
Insisto sempre que a verdadeira independência do Brasil só foi realmente conquistada quase um ano depois, em 2 de julho de 1823, aqui na Bahia. Esta sim, uma vitória decisiva e determinante, que muito orgulha a todos nós, baianos e baianas, mas que resultou na morte de muitos irmãos e irmãs que deram suas vidas para que nos tornássemos um país independente, livre e soberano.
Desde então, a nossa caminhada histórica é marcada pela alternância de momentos positivos e negativos. Por vezes, navegamos em ambientes mais favoráveis, com progressos significativos e com grandes avanços para a nossa sociedade. Em outros, mergulhamos em cenários extremamente adversos, marcados por muitos retrocessos, além de situações em que os nossos direitos foram suprimidos e nossas liberdades cerceadas.
O 7 de Setembro deste ano foi marcado pela retomada do ambiente de normalidade institucional, com a defesa clara e inegociável de valores como democracia, soberania e união. Foi ainda um momento de confirmação do sucesso da nossa caminhada nos primeiros oito meses da gestão do novo governo Lula. Um breve período em que já conseguimos reestruturar políticas sociais como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos e o Programa de Aquisição de Alimentos.
Além disso, retomamos a Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo, garantindo aumento real, acima da inflação, pela primeira vez após seis anos. Aprovamos no Congresso uma nova regra fiscal, superando as amarras do antigo teto de gastos, determinando agora que os gastos públicos devem crescer de acordo com o comportamento da arrecadação do governo. Uma maneira inteligente e sustentável de garantirmos responsabilidade fiscal, sem perdermos a capacidade de investir nas áreas prioritárias e essenciais para o nosso desenvolvimento.
Não bastasse, vivemos hoje um cenário extremamente positivo, marcado pela redução do desemprego, pelo crescimento do PIB e por sucessivas quedas na inflação, com especial destaque para a redução do preço dos alimentos que compõem a cesta básica. Essa melhora dos indicadores reflete um sentimento geral de que o Brasil verdadeiro voltou. Prova disso é que a comunidade internacional passou a novamente nos enxergar como uma nação capaz de liderar as principais discussões no plano global.
Apesar deste cenário tão positivo, não podemos perder o foco da nossa missão de seguir fortalecendo, na nossa agenda nacional, temas como emprego, renda, inclusão produtiva, justiça social, saúde, educação, segurança, agricultura familiar e tudo aquilo que impacta diariamente na vida da nossa gente. De todas as classes sociais, mas especialmente daqueles e daquelas que mais precisam.
O fato é que, mais de dois séculos se passaram e o dia 7 de setembro mostrou ser novamente para todos nós, brasileiros e brasileiras, uma data de grande importância na vida nacional. Um dia marcado pelo sentimento de união e pelo orgulho de sermos brasileiros. Um dia em que não medimos diferenças partidárias, religiosas, ideológicas ou de nenhum tipo. E uma oportunidade de reafirmar o compromisso de que precisamos seguir trabalhando pela união e pela reconstrução do nosso país.
A boa notícia é que esses ideais, de união e reconstrução, marcam a atuação do governo que temos hoje no Brasil. Novamente, sob a liderança do presidente Lula, temos uma gestão federal que, desde seu primeiro dia, trabalha comprometida para trazer de volta a esperança para as famílias e devolver um horizonte de prosperidade a todo o povo brasileiro.
Precisamos, porém, permanecer vigilantes e conscientes de que ainda há muito a ser feito até que conquistemos, de fato, uma independência plena. E isso só virá quando tivermos um Brasil livre das chagas da exclusão, da fome, do ódio, dos preconceitos e das desigualdades.
Meu desejo é de que aproveitemos essa atmosfera de orgulho e de união alimentada pelo 7 de Setembro. E que essa data seja sempre capaz de renovar o nosso ânimo de lutar, como lutaram tantos baianos, baianas, brasileiros e brasileiras em capítulos importantes da nossa história. Lutar até que possamos dizer, em alto e bom som, que o Brasil pode se considerar uma nação independente no sentido mais amplo desta palavra.•
Publicado na edição n° 1277 de CartaCapital, em 20 de setembro de 2023.
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



