Cultura
Letuce, música por combustão amorosa
O casal Letícia Noaves e Lucas Vasconcellos criaram ‘Lança Perene’, um disco com meticulosa utilização de timbres e intensidades instrumentais
por Tárik de Souza
Formada pela cantora Letícia Novaes e o guitarrista Lucas Vasconcellos, a dupla carioca Letuce nasceu de um encontro esteticamente improvável, por combustão amorosa. Atriz pioneira no grupo Comédia de Salto, do hoje populoso gênero stand-up comedy, Letícia destilou a veia irônica nas primeiras bandas de rock, Letícios e Ménage à Trois. Músico formado em improvisação e harmonia funcional, Lucas escreveu trilhas para teatro (Antonio e Cleópatra), balé (Eletricidade) e cinema (Pretérito Perfeito e Riscado). Ao tornar-se casal, em 2008, a dupla estreou no álbum Plano de Fuga para Cima dos Outros e de Mim, no ano seguinte. Reunia invenção instrumental e histrionismo com tempero erótico, ingredientes realçados em Manja Perene, disco gravado sob o sistema de crowdfunding. Para custear a produção ofereceu-se aos fãs desde download em primeira mão a um piquenique na Quinta da Boa Vista, um parque tradicional do Rio.
O projeto arrecadou 19.313 reais (21% acima do orçamento inicial) e Manja Perene valeu o esforço. É um disco de meticulosa utilização de timbres e intensidades instrumentais, e poesia de Fio Solto, como define uma das faixas, devotada à libido aguda. O desnudamento pessoal segue em Sempre Tive Perna (tô com o coração na boca/ e o útero na mão), Sutiã (eu sinto um susto de sutiã abrindo sozinho) e Anatomia Sexual, onde emerge, na cama, “a dor de dividir”. Lucas e Letícia partilham a maioria das autorias, mas ele canta em poucas faixas, como na farpada Areia Fina (tudo que é perfeito dá defeito/ cedo ou tarde), e ela diverte-se em trechos de ensaios preservados no disco, de clima afetuoso e vanguardista.
por Tárik de Souza
Formada pela cantora Letícia Novaes e o guitarrista Lucas Vasconcellos, a dupla carioca Letuce nasceu de um encontro esteticamente improvável, por combustão amorosa. Atriz pioneira no grupo Comédia de Salto, do hoje populoso gênero stand-up comedy, Letícia destilou a veia irônica nas primeiras bandas de rock, Letícios e Ménage à Trois. Músico formado em improvisação e harmonia funcional, Lucas escreveu trilhas para teatro (Antonio e Cleópatra), balé (Eletricidade) e cinema (Pretérito Perfeito e Riscado). Ao tornar-se casal, em 2008, a dupla estreou no álbum Plano de Fuga para Cima dos Outros e de Mim, no ano seguinte. Reunia invenção instrumental e histrionismo com tempero erótico, ingredientes realçados em Manja Perene, disco gravado sob o sistema de crowdfunding. Para custear a produção ofereceu-se aos fãs desde download em primeira mão a um piquenique na Quinta da Boa Vista, um parque tradicional do Rio.
O projeto arrecadou 19.313 reais (21% acima do orçamento inicial) e Manja Perene valeu o esforço. É um disco de meticulosa utilização de timbres e intensidades instrumentais, e poesia de Fio Solto, como define uma das faixas, devotada à libido aguda. O desnudamento pessoal segue em Sempre Tive Perna (tô com o coração na boca/ e o útero na mão), Sutiã (eu sinto um susto de sutiã abrindo sozinho) e Anatomia Sexual, onde emerge, na cama, “a dor de dividir”. Lucas e Letícia partilham a maioria das autorias, mas ele canta em poucas faixas, como na farpada Areia Fina (tudo que é perfeito dá defeito/ cedo ou tarde), e ela diverte-se em trechos de ensaios preservados no disco, de clima afetuoso e vanguardista.
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