Cultura
Para sentir o velho suingue
O baixista paulista Marcos Paiva recria, no CD “Meu Samba no Prato”, a atmosfera mítica do indomável carioca Edison “Maluco” Machado (1934-1990), que ficou conhecido como “o inventor do samba no prato”
Por Tárik de Souza
Meu samba no prato – Tributo a Edison Machado
Marcos Paiva MP6
Independente
No tempo do mítico Beco das Garrafas carioca, o indomável Edison “Maluco” Machado (1934-1990) ficou conhecido como “o inventor do samba no prato”. Quase sempre de terno, mascava um chiclete imaginário enquanto surrava com estilo a bateria. A despeito da suposta condição subalterna do ritmo, era esse ex-integrante dos grupos Bossa Três e Bossa Rio quem conduzia a orquestra na obra-prima do samba-jazz Edison É Samba Novo, de 1964, recheada de ases como Moacir Santos, Paulo Moura, J.T. Meirelles, Raul de Souza, Tenório Jr., Tião Neto, Maciel e Pedro Paulo. Curiosamente, é um baixista de São Paulo, Marcos Paiva, o recriador desta atmosfera, 48 anos depois, em Meu Samba no Prato – Tributo a Edison Machado. À frente do MP6, formado além do líder baixista, por sax, trombone, trompete e piano, com o baterista Daniel de Paula na função de Edison, Paiva recria a atemporal Aquarela do Brasil e um clássico de protesto daquele ano, o do golpe militar, Acender as Velas, de Zé Kéti.
As demais faixas, todas de nome Edison, numeradas como “opus” (2, 3, 5 e 6) parafraseiam temas do disco original e abrem-se a largos e orgânicos improvisos jazzísticos.
A maior delas ultrapassa 16 minutos, mas não há firulas balofas, nem autoindulgência. A saudável e eletrizante tensão criativa onipresente no disco de Edison Machado também viceja na remontagem de Marcos Paiva, uma espécie de dissecação da peça anterior, tomada como ponto de partida. Seria como reiniciar um prédio inacabado – ou uma obra em progresso a partir dos sólidos alicerces de seus cânones. – TÁRIK DE SOUZA
Por Tárik de Souza
Meu samba no prato – Tributo a Edison Machado
Marcos Paiva MP6
Independente
No tempo do mítico Beco das Garrafas carioca, o indomável Edison “Maluco” Machado (1934-1990) ficou conhecido como “o inventor do samba no prato”. Quase sempre de terno, mascava um chiclete imaginário enquanto surrava com estilo a bateria. A despeito da suposta condição subalterna do ritmo, era esse ex-integrante dos grupos Bossa Três e Bossa Rio quem conduzia a orquestra na obra-prima do samba-jazz Edison É Samba Novo, de 1964, recheada de ases como Moacir Santos, Paulo Moura, J.T. Meirelles, Raul de Souza, Tenório Jr., Tião Neto, Maciel e Pedro Paulo. Curiosamente, é um baixista de São Paulo, Marcos Paiva, o recriador desta atmosfera, 48 anos depois, em Meu Samba no Prato – Tributo a Edison Machado. À frente do MP6, formado além do líder baixista, por sax, trombone, trompete e piano, com o baterista Daniel de Paula na função de Edison, Paiva recria a atemporal Aquarela do Brasil e um clássico de protesto daquele ano, o do golpe militar, Acender as Velas, de Zé Kéti.
As demais faixas, todas de nome Edison, numeradas como “opus” (2, 3, 5 e 6) parafraseiam temas do disco original e abrem-se a largos e orgânicos improvisos jazzísticos.
A maior delas ultrapassa 16 minutos, mas não há firulas balofas, nem autoindulgência. A saudável e eletrizante tensão criativa onipresente no disco de Edison Machado também viceja na remontagem de Marcos Paiva, uma espécie de dissecação da peça anterior, tomada como ponto de partida. Seria como reiniciar um prédio inacabado – ou uma obra em progresso a partir dos sólidos alicerces de seus cânones. – TÁRIK DE SOUZA
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