Política
Quem é o coronel do Exército citado por hacker como ponte com o Alto Comando
A relatora da CPMI, Eliziane Gama (PSD-MA), já indicou que solicitará a quebra do sigilo telemático do militar
O hacker Walter Delgatti afirmou nesta quinta-feira 17, em depoimento à CPMI do 8 de Janeiro, que o coronel Marcelo Gonçalves de Jesus seria o intermediário de seus contatos com o general Marco Antonio Freire Gomes, então comandante do Exército.
“Ele enviava vídeos do acampamento de pessoas rezando, de pessoas chorando. Ele enviava algumas matérias que saíam à época, alguns vídeos”, narrou o hacker. Ele também declarou que Jesus “dizia que iria ter uma ruptura, uma intervenção”.
Delgatti ainda mencionou “relatórios de um argentino que fez uma live“, em provável referência a uma transmissão ao vivo repleta de informações falsas sobre sistema eleitoral brasileiro.
“Ele [Jesus] me enviava e pedia que eu autenticasse, só que com dados que estavam no TSE, porque o relatório pega o banco de dados. A ideia dele era que eu fosse no relatório, fosse até o site e confirmasse se realmente aquele dado que estava no relatório constava no site do TSE. Então, por diversas vezes eu realizei essa autenticação de relatório a ele”, prosseguiu o depoente.
A relatora da CPMI, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), já indicou que solicitará a quebra do sigilo telemático do coronel.
Segundo o Portal da Transparência, Marcelo de Jesus foi reformado em janeiro de 2020, quando trabalhava no Comando do Exército. Entre fevereiro e julho daquele ano, ocupou um cargo de direção e assessoramento superior no Ministério da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro.
Desde março de 2020, ele aparece como sócio-administrador da MGJ Consultoria em Segurança e Comércio Exterior, uma empresa sediada em Goiânia com capital social de 525 mil reais.
Como militar da reserva, ele recebeu 32 mil reais em junho deste ano (o último mês disponível para consulta), incluindo a remuneração regular e uma gratificação natalina de 13 mil reais brutos.
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