Mundo
Polícia investiga casa e escritórios do cidadão Sarkozy
Sem imunidade política, o ex-presidente francês é acusado, entre outros, de financiamento ilícito de sua campanha presidencial em 2007
“Mas quando a polícia financeira irá atrás dos esqueletos no armário de Nicolas Sarkozy?”, indagou na segunda-feira 15 um banqueiro francês.
Oportuna, a pergunta, naquele bistrô num bairro central de Paris. Mas, o ex-presidente, derrotado em maio pelo socialista François Hollande, parecia ter se safado de acusações. E agora teria uma vida tranquila ao lado de sua bela mulher, Carla-Bruni Sarkozy.
Como a vasta maioria dos políticos, talvez Sarko tenha adentrado o mundo da corrupção, mas pelo menos ele nunca (ou pelo menos supunha-se) seria comparado ao seu antecessor Jacques Chirac, acusado em vários casos de corrupção – embora agora, apesar de doente, continue livre.
No entanto, enquanto meu interlocutor, o banqueiro, levantava suspeitas em relação a Sarko, os magistrados já estavam há muito tempo no encalço de Nicolas Sarkozy. Desde 16 de junho o ex-presidente não poderia, afinal, contar com sua imunidade política. A questão era e continua a ser: o que os magistrados vão descobrir?
E eis que na manhã desta terça-feira 3 policiais da brigada financeira e um juiz de Bordeaux investigaram o apartamento de Sarko e de sua mulher num luxuoso bairro de Paris. A busca continuou nos escritórios do ex-presidente e no de seus advogados.
O juiz de Bordeaux, Jean-Michel Gentil, pretende culpar o ex-presidente sobretudo por financiamento ilícito de sua campanha presidencial de 2007.
Em almoços na casa de Liliane Bettencourt, herdeira da rede de cosméticos L’Oréal e mulher mais endinheirada da França, Sarko teria, segundo testemunhas oculares, recebido envelopes com dinheiro líquido. Por sua vez, Claire Thibout, ex-contadora de Bettencourt, alega que 150 mil euros teriam sido entregues a Eric Woerth, à época tesoureiro da campanha presidencial de Sarko.
As investigações judiciais não são novidade para Sarko.
Além do affaire Bettencourt, o juiz Renaud Van Ruymbeke investiga o caso Karachi, o qual envolve a venda de submarinos para o Paquistão e de fragatas para a Arábia Saudita, em 1994. As comissões das vendas teriam sido utilizadas no ano seguinte para financiar a campanha para o cargo de primeiro-ministro do conservador Edouard Balladur.
À época, vale recapitular, Sarko era porta-voz da campanha e ministro do Orçamento. Em miúdos, Sarkozy teria tido um papel crucial na venda de armas agora conhecida como affaire Karachi.
E, segundo a polícia, Sarko seria, ao lado da Balladur, o homem por trás da criação de uma sociedade, a Heine, no Luxemburgo. O objetivo dessa sociedade? Lidar com comissões suspeitas.
Há outras investigações judiciais pendentes a inquietar o ex-presidente. Sua campanha presidencial de 2007 teria sido financiada também por Muammar Kaddafi, segundo o website Mediapart. Mais: Sarkozy teria usado os serviços de um chefe da contraespionagem e de um procurador para descobrir quem eram as fontes de jornalistas no caso Bettencourt do vespertino francês Le Monde.
Sarkozy nunca poupou seus rivais. Resta saber se os magistrados conseguirão fazer algo contra o ex-presidente. O mais provável é que ele seja julgado e continue em liberdade, como Chirac.
“Mas quando a polícia financeira irá atrás dos esqueletos no armário de Nicolas Sarkozy?”, indagou na segunda-feira 15 um banqueiro francês.
Oportuna, a pergunta, naquele bistrô num bairro central de Paris. Mas, o ex-presidente, derrotado em maio pelo socialista François Hollande, parecia ter se safado de acusações. E agora teria uma vida tranquila ao lado de sua bela mulher, Carla-Bruni Sarkozy.
Como a vasta maioria dos políticos, talvez Sarko tenha adentrado o mundo da corrupção, mas pelo menos ele nunca (ou pelo menos supunha-se) seria comparado ao seu antecessor Jacques Chirac, acusado em vários casos de corrupção – embora agora, apesar de doente, continue livre.
No entanto, enquanto meu interlocutor, o banqueiro, levantava suspeitas em relação a Sarko, os magistrados já estavam há muito tempo no encalço de Nicolas Sarkozy. Desde 16 de junho o ex-presidente não poderia, afinal, contar com sua imunidade política. A questão era e continua a ser: o que os magistrados vão descobrir?
E eis que na manhã desta terça-feira 3 policiais da brigada financeira e um juiz de Bordeaux investigaram o apartamento de Sarko e de sua mulher num luxuoso bairro de Paris. A busca continuou nos escritórios do ex-presidente e no de seus advogados.
O juiz de Bordeaux, Jean-Michel Gentil, pretende culpar o ex-presidente sobretudo por financiamento ilícito de sua campanha presidencial de 2007.
Em almoços na casa de Liliane Bettencourt, herdeira da rede de cosméticos L’Oréal e mulher mais endinheirada da França, Sarko teria, segundo testemunhas oculares, recebido envelopes com dinheiro líquido. Por sua vez, Claire Thibout, ex-contadora de Bettencourt, alega que 150 mil euros teriam sido entregues a Eric Woerth, à época tesoureiro da campanha presidencial de Sarko.
As investigações judiciais não são novidade para Sarko.
Além do affaire Bettencourt, o juiz Renaud Van Ruymbeke investiga o caso Karachi, o qual envolve a venda de submarinos para o Paquistão e de fragatas para a Arábia Saudita, em 1994. As comissões das vendas teriam sido utilizadas no ano seguinte para financiar a campanha para o cargo de primeiro-ministro do conservador Edouard Balladur.
À época, vale recapitular, Sarko era porta-voz da campanha e ministro do Orçamento. Em miúdos, Sarkozy teria tido um papel crucial na venda de armas agora conhecida como affaire Karachi.
E, segundo a polícia, Sarko seria, ao lado da Balladur, o homem por trás da criação de uma sociedade, a Heine, no Luxemburgo. O objetivo dessa sociedade? Lidar com comissões suspeitas.
Há outras investigações judiciais pendentes a inquietar o ex-presidente. Sua campanha presidencial de 2007 teria sido financiada também por Muammar Kaddafi, segundo o website Mediapart. Mais: Sarkozy teria usado os serviços de um chefe da contraespionagem e de um procurador para descobrir quem eram as fontes de jornalistas no caso Bettencourt do vespertino francês Le Monde.
Sarkozy nunca poupou seus rivais. Resta saber se os magistrados conseguirão fazer algo contra o ex-presidente. O mais provável é que ele seja julgado e continue em liberdade, como Chirac.
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