Política

Câmera de aeroporto mostra como emissário do governo Bolsonaro tentou liberar joias de R$ 16 milhões

‘Isso aqui faz parte da passagem. Não pode ter nada do antigo para o próximo’, alegou sargento da Marinha

Câmera de aeroporto mostra como emissário do governo Bolsonaro tentou liberar joias de R$ 16 milhões
Câmera de aeroporto mostra como emissário do governo Bolsonaro tentou liberar joias de R$ 16 milhões
Foto: Reprodução/GloboNews
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Um vídeo gravado pelo circuito interno do Aeroporto de Guarulhos em 28 de dezembro de 2022 detalha como um emissário do governo de Jair Bolsonaro agiu para tentar liberar as joias de 16,5 milhões de reais supostamente enviadas como um presente pela Arábia Saudita.

O registro, obtido e divulgado pela jornalista Andreia Sadi, da GloboNews e do G1, expõe a pressa da gestão do ex-capitão para resolver o imbróglio antes de Lula (PT) assumir a Presidência, em 1º de janeiro.

Na gravação, o sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva apresenta um ofício enviado pelo tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, ao chefe da Receita Federal, Julio Cesar Vieira Gomes.

“Isso aqui faz parte da passagem, não pode ter nada do (governo) antigo para o próximo. Tem que tirar tudo, tem que levar, não pode”, diz o militar. Ele também liga para Mauro Cid e tenta entregar o telefone ao auditor da Receita, que se recusa a pegá-lo.

Em determinado momento da filmagem, o auditor diz ao sargento haver um requisito para retirar as joias, um Ato de Destinação de Mercadoria.

“É que tô na correria, cara. Passagem de comando, como se diz, né, um entrando, outro saindo”, alega Jairo da Silva. O auditor, então, responde: “Então, assim, esse ADM – que seria para incorporação – seria necessário. Não tenho conhecimento também dessa liberação. Não sei onde estaria, talvez no cofre, mas eu não tenho acesso, então… Não sei se teve algum atropelo, assessoria, alguma coisa muito de urgência”.

Na sequência, Jairo diz que o ADM estava em preparação e pede que o auditor telefone para outro funcionário da Receita.

“A questão é a seguinte: independente de eu ter, de onde esteja, tem que ter o ato de destinação de mercadoria, porque é uma incorporação”, responde o funcionário. “Não tendo, não teria nem como liberar. Nem que eu pudesse, não teria como liberar. Não estou sabendo.”

Jairo insiste, por fim, que o auditor telefone para um funcionário identificado como Fabiano, que estaria “ciente” do processo. Reforçou que o ADM “está sendo providenciado, já”.

“Então vamos aguardar esse ADM, se ele for providenciada e ele mandar”, devolveu o auditor. “Eu não vou ligar para o Fabiano, porque, assim, eu não tenho acesso direto ao Fabiano. Está na superintendência. Ele não é da alfândega aqui de Guarulhos. Entendeu? Ele tá como superintendente-adjunto de aduana lá na superintendência, com isso ele ficou como delegado aqui muito tempo. Então vamos aguardar.”

Na última segunda-feira 6, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o caso do pacote de 16,5 milhões. A investigação tramitará em São Paulo, sob responsabilidade da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários.

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