Política

Cartão corporativo bancou ‘home office’ de Carlos Bolsonaro

Gasto foi revelado pelas notas fiscais obtidas e divulgadas pela agência Fiquem Sabendo

Cartão corporativo bancou ‘home office’ de Carlos Bolsonaro
Cartão corporativo bancou ‘home office’ de Carlos Bolsonaro
Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O vereador Carlos Bolsonaro teve parte do seu trabalho remoto como político pago com o cartão corporativo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi revelada pelo site UOL desta quarta-feira 25 com base nas notas fiscais obtidas e divulgadas pela agência Fiquem Sabendo.

Ao todo, segundo as notas, 2,3 mil reais para bancar seguranças em Brasília foram pagos com o dinheiro da Presidência. Enquanto esteve na capital federal sendo bancado, em parte, com dinheiro público, o vereador atuou de forma remota na Câmara do Rio de Janeiro.

A viagem, segundo consta nos documentos, ocorreu entre 12 e 22 de março de 2021, quando Carlos Bolsonaro ficou hospedado no hotel Nobile Suítes Monumental, em Brasília. O gasto no cartão do ex-capitão trata, portanto, de 11 diárias de servidores federais que acompanharam o político.

Do hotel, Carlos participou de 5 sessões no legislativo carioca. Em todas ficou com a câmera fechada e não fez sustentação oral. Ele ainda registrou presença, mas deixou de votar em duas oportunidades neste período.

Pelo modus operandi suspeito nesta ocasião, a regra da Câmara de Vereadores passou a obrigar que a câmera usada pelos vereadores que atuavam em home office ficasse sempre aberta. Ironizando a decisão, relembra a reportagem, Carlos usou um banner com sua foto em uma das sessões do dia 23 de março.

As viagens de Carlos a Brasília foram alvo de questionamentos, já que o vereador não tinha qualquer cargo formal no governo federal, mas constantemente acompanhava o pai em agendas políticas. Em uma delas, registrou presença remota em uma sessão para em seguida ser flagrado orientando o ex-capitão em uma gravação de vídeo. Os encontros dele com o ex-presidente, porém, tiveram sigilo decretado na antiga gestão do governo.

Os gastos com o home office de Carlos são apenas uma pequena parte de inconsistências que as notas fiscais do cartão corporativo de Bolsonaro apontam. Há entre os documentos parte das viagens de lazer de Michelle Bolsonaro e Jair Renan bancadas com dinheiro público. Gastos com Rivotril, picanha e doces de luxo também constam entre as despesas diárias de Jair Bolsonaro. Vale lembrar que, segundo a Fiquem Sabendo, há ainda cerca de 80% de notas fiscais que precisam ser digitalizadas e analisadas.

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