Política
Comissão Arns cobra explicações de Tarcísio e do governo sobre tiroteio ‘obscuro’
A equipe do bolsonarista pediu que um cinegrafista apagasse imagens; a entidade apresentou lacunas sobre o episódio
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns publicou, nesta quinta-feira 27, uma nota para solicitar esclarecimentos sobre o tiroteio em Paraisópolis, Zona Oeste da cidade de São Paulo, que interrompeu um ato de campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 17 de outubro.
Na última terça 25, um áudio revelado pela Folha de S.Paulo mostrou que um funcionário da campanha do candidato bolsonarista abordou um cinegrafista da Jovem Pan e pediu que ele apagasse vídeos do tiroteio. Um homem identificado como Felipe Silva de Lima, de 27 anos, morreu após disparos de arma de fogo.
A Comissão Arns também argumenta que o episódio foi usado indevidamente para propaganda política. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro (PL) mencionou o caso em uma propaganda na TV.
“O candidato a governador de São Paulo Tarcísio de Freitas e sua equipe foram atacados por criminosos em Paraisópolis”, alegou o ex-capitão no vídeo.
O documento da comissão ainda elenca 13 perguntas ao governo do estado sobre o tiroteio. Entre elas, “por que a PM só foi contatada quando o candidato já estava envolvido no incidente”, “o que fazia na comitiva um agente policial vinculado a recente treinamento pela Abin”, “quem disparou contra o morador da comunidade que foi morto” e “quem determinou ou pediu ao cinegrafista da rádio Jovem Pan que apagasse as imagens gravadas por ele durante o incidente”.
A entidade se refere ao tiroteio em Paraisópolis como um “obscuro episódio de violência”.
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