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Fundamentalismo 2012

O novo extremismo religioso de Israel é um sintoma de uma tendência mais geral

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Fundamentalismo 2012
O novo extremismo religioso de Israel é um sintoma de uma tendência mais geral. Foto: Menahem Kahana/AFP
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A súbita explosão em Israel de radicalismo judaico e intolerância “ultraortodoxa” – que a mídia chamaria, sem circunlóquios, de “fundamentalismo” caso se tratasse de muçulmanos – é uma oportunidade de repensar os lugares-comuns sobre esse fenômeno social, que não está restrito a uma religião em particular nem é uma sobrevivência arcaica. Mesmo sendo reacionário, é um fenômeno social das crises políticas e econômicas da modernização, tanto quanto o fascismo e a xenofobia. Neste caso, trata-se de uma reação popular à ansiedade criada tanto pela crise econômica quanto pela inesperada “Primavera Árabe”, que fragilizou a posição do país no mundo.


O governo de Israel, ele mesmo formado por uma coalizão que inclui partidos religiosos “fundamentalistas” em diferentes graus, lida com pelo menos dois tipos principais de extremismo judeu. De um lado, os radicalizados colonos da Cisjordânia, que há tempos atacam mesquitas e propriedades privadas de vizinhos palestinos, começaram a atacar judeus pacifistas e até quartéis do próprio exército israelense, que vez por outra tenta conter seus excessos.


De outro, os “ultraortodoxos” haredim, palavra hebraica que significa “tementes” (a Deus). Essa corrente religiosa exaltada concentra-se nas cidades de Jerusalém, Beit Shemesh, Bnei Brak, Safed e Elad e tenta impor suas normas a judeus laicos e a judeus ortodoxos menos exaltados.


Uma variante curiosa é a seita fundada por Bruria Keren (presa desde 2006 por maus-tratos aos 12 filhos e tida como rabina e santa pelas seguidoras), apelidada pela mídia de “mulheres-talebans”, que impõe a suas seguidoras vestes mais opressivas que a burca afegã ou o niqab saudita, para não falar do simples lenço de cabeça usado pela maioria das muçulmanas. Suas mulheres usam literais montes de roupa para ocultar totalmente o rosto, os olhos e as formas do corpo: a líder usa luvas, dez saias, sete mantos longos, cinco véus na frente da cabeça e três atrás. Como não enxergam por onde andam, usam suas crianças -como guias. Para não tirar seus xales, raramente tomam banho e vivem à parte, recusando matricular os filhos em escolas públicas. Além disso, seguem normas estritas de medicina alternativa baseadas em cabala, homeopatia e vegetarianismo, ensinadas pela líder.


*Leia matéria completa na Edição 679 de CartaCapital, já nas bancas.

A súbita explosão em Israel de radicalismo judaico e intolerância “ultraortodoxa” – que a mídia chamaria, sem circunlóquios, de “fundamentalismo” caso se tratasse de muçulmanos – é uma oportunidade de repensar os lugares-comuns sobre esse fenômeno social, que não está restrito a uma religião em particular nem é uma sobrevivência arcaica. Mesmo sendo reacionário, é um fenômeno social das crises políticas e econômicas da modernização, tanto quanto o fascismo e a xenofobia. Neste caso, trata-se de uma reação popular à ansiedade criada tanto pela crise econômica quanto pela inesperada “Primavera Árabe”, que fragilizou a posição do país no mundo.


O governo de Israel, ele mesmo formado por uma coalizão que inclui partidos religiosos “fundamentalistas” em diferentes graus, lida com pelo menos dois tipos principais de extremismo judeu. De um lado, os radicalizados colonos da Cisjordânia, que há tempos atacam mesquitas e propriedades privadas de vizinhos palestinos, começaram a atacar judeus pacifistas e até quartéis do próprio exército israelense, que vez por outra tenta conter seus excessos.


De outro, os “ultraortodoxos” haredim, palavra hebraica que significa “tementes” (a Deus). Essa corrente religiosa exaltada concentra-se nas cidades de Jerusalém, Beit Shemesh, Bnei Brak, Safed e Elad e tenta impor suas normas a judeus laicos e a judeus ortodoxos menos exaltados.


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