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Pastor Henrique Vieira: ‘Não quero estar no Congresso para defender os interesses da igreja’

Eleito deputado pelo PSOL do Rio de Janeiro, Vieira disse querer ‘desarmar a bomba do fundamentalismo religioso’

Pastor Henrique Vieira: ‘Não quero estar no Congresso para defender os interesses da igreja’
Pastor Henrique Vieira: ‘Não quero estar no Congresso para defender os interesses da igreja’
O pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), em entrevista a CartaCapital. Foto: Reprodução
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Eleito deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro neste ano, o pastor evangélico Henrique Vieira disse ver como necessária a tarefa de “desarmar a bomba do fundamentalismo religioso”, sem deixar de dialogar com o que chamou de “experiência religiosa que habita o coração do povo”.

Em entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube, nesta quinta-feira 13, o parlamentar eleito listou algumas perspectivas para o seu mandato na Câmara dos Deputados. Segundo ele, não está nos planos participar da Frente Parlamentar Evangélica. O bloco tem como presidente o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

“Nós precisamos, por um lado, enfrentar esse fanatismo. Mas enfrentar o fanatismo não significa eliminar a espiritualidade e a religiosidade como parte daquilo que compõe a sociedade e a política”, declarou.

Vieira, que é pastor na Igreja Batista do Caminho, disse que não vê razão para participar da Frente Evangélica.

“Eu não quero estar no Parlamento para defender os interesses da igreja”, afirmou. “Só a ideia de Frente Parlamentar Evangélica já sugere algum grau de corporativismo evangélico. (…) Eu vou estar no Parlamento brasileiro defendendo educação pública, saúde pública, direitos humanos, luta antirracista, demarcação de terras indígenas. Não vejo necessidade de uma frente de uma experiência religiosa que não é oprimida no Brasil.”

Vieira afirmou ainda que a existência de uma frente parlamentar deve pautar um tema que demande a conquista de direitos sociais e que “os evangélicos, enquanto evangélicos, não precisam”.

O pastor disse que pretende reivindicar a revogação de reformas econômicas aprovadas desde o governo de Michel Temer (MDB) e que deve formular alguma proposta para regulamentar os meios de comunicação, para mitigar o poder de grandes igrejas evangélicas nas televisões.

“Os meios de comunicação precisam de mais pluralidade”, avaliou. “Eu defendo a regulação e a democratização dos meios de comunicação. Quero muito, no meu mandato, chamar militantes dessa pauta histórica para formular políticas e colocar isso na mesa.”

A entrevista está disponível na íntegra no YouTube e faz parte de uma série de vídeos com parlamentares que foram eleitos para o Congresso Nacional.

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