Política
Alinhada a Bolsonaro, Igreja Presbiteriana tenta afastar fiéis do ‘pensamento de esquerda’
Um documento a ser votado no Supremo Concílio defende abordar ‘cristãos de esquerda’ e ‘orientá-los de suas inconsistências’
A Igreja Presbiteriana do Brasil analisará entre 24 e 31 de julho a adoção de uma resolução que, na prática, levará a instituição a defender a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) e afastar os fiéis da “nefasta influência do pensamento de esquerda”.
O documento a ser debatido no Supremo Concílio, em Cuiabá, tem a relatoria do reverendo Osni Ferreira, da Igreja Presbiteriana Central de Londrina. Um vídeo publicado pelo site do jornal O Estado de S.Paulo mostra que ele utilizou, em 3 de julho, o púlpito a fim de pedir votos para Bolsonaro.
”Nós temos que reeleger Bolsonaro. Irmãos, não tem outro caminho para o Brasil. Olha a América do Sul inteira…”, disse Ferreira no culto. A íntegra da resolução a ser votada no concílio foi publicada nesta quarta-feira 20 pelo site O Bastidor.
O texto defende que a igreja “apresente a contradição entre Marxismo e suas variantes com o Cristianismo Bíblico” e que “essas pastorais orientem os declarados ‘cristãos de esquerda ou progressistas’ de suas inconsistências”.
Um dos líderes da IPB é o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que chegou a ser preso pelo escândalo da atuação de pastores lobistas na pasta. O esquema para liberação de verbas públicas, porém, não parece ter sensibilizado o comando da igreja, ligado a Bolsonaro e ao bolsonarismo.
Se a resolução for aprovada pelo concílio, a igreja formará, na prática, uma comissão “anti-esquerda” a ser incumbida da tarefa de executar os termos do “manifesto” e estabelecer as regras a serem seguidas pelos pastores.
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