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Ataque russo em cidade no centro da Ucrânia deixa 17 mortos

Desde que a Rússia iniciou a ofensiva na Ucrânia, em 24 de fevereiro, milhares de pessoas morreram e milhões foram obrigadas a fugir dos combates

Ataque russo em cidade no centro da Ucrânia deixa 17 mortos
Ataque russo em cidade no centro da Ucrânia deixa 17 mortos
Audiência em queda. Depois do estrondoso sucesso inicial, Zelensky tem cada vez mais dificuldade para capturar a atenção do planeta - Imagem: Presidência da Ucrânia e STR/AFP
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Ataques de mísseis russos deixaram 17 mortos em uma cidade da região central da Ucrânia nesta quinta-feira, uma ação classificada como “ato aberto de terrorismo” pelo presidente do país, Volodymyr Zelensky.

O bombardeio em Vinnytsia, cidade relativamente afastada dos combates, provocou 17 vítimas fatais, incluindo duas crianças, e dezenas de feridos, segundo as autoridades de ucranianas.

Os bombeiros lutavam contra um incêndio provocado pelos ataques, informaram os serviços de emergência.

“A cada dia, a Rússia mata civis, mata crianças ucranianas, lança mísseis contra alvos civis onde não há nada militar. O que é isto senão um ato aberto de terrorismo?”, denunciou no Telegram o presidente ucraniano, que pediu a criação de um tribunal especial de crimes de guerra em Haia.

O ataque aconteceu no momento em que começava uma reunião de ministros das Relações Exteriores e da Justiça da União Europeia (UE), além de líderes políticos, diplomatas e autoridades judiciais de todo o mundo, em Haia para abordar os supostos crimes de guerra na Ucrânia desde 24 de fevereiro.

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, disse que a Rússia deve ser considerada responsável por suas ações na Ucrânia.

“Tudo que queremos é que o crime de agressão não fique impune”, disse no início do encontro.

Tribunal de crimes de guerra?

O Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia abriu uma investigação sobre possíveis crimes de guerra na Ucrânia pouco depois do início da invasão do país e enviou dezenas de investigadores para coletar provas.

O promotor Karim Khan visitou Bucha, cidade na periferia de Kiev que virou símbolo das atrocidades das forças russas após a descoberta de vários corpos nas ruas.

Desde que a Rússia iniciou a ofensiva na Ucrânia, em 24 de fevereiro, milhares de pessoas morreram e milhões foram obrigadas a fugir dos combates.

Nas últimas semanas, os ataques russos na região central do país se tornaram mais raros e Moscou passou a concentrar sua estratégia no sul e leste.

No sul, a cidade de Mykolaiv, perto de Odessa (maior porto da Ucrânia), foi alvo de um grande bombardeio na manhã de quinta-feira.

“Duas escolas, infraestruturas de transporte e um hotel foram atingidos”, afirmou a presidência em seu boletim diário.

No leste, na bacia de mineração do Donbass, parcialmente sob controle de separatistas pró-Rússia desde 2014, as forças leais a Moscou afirmaram que estão perto de concretizar seu próximo objetivo.

“Siversk está sob nosso controle operacional, o que significa que o inimigo pode ser atingido por nosso fogo em toda a região”, afirmou um dos líderes rebeldes pró-Rússia, Daniil Bezsonov, citado pela agência russa de notícias TASS.

Apesar das várias rodadas de negociações para acabar com o conflito, Kiev e Moscou nunca tiveram sucesso. Mas agora parece que as conversações entre os dois governos sobre a exportação de grãos ucranianos estão avançando.

Na quarta-feira, uma reunião sobre a questão delicada foi organizada em Istambul, com a presença ainda de representantes da Turquia e da ONU. Um novo encontro está programado para a próxima semana.

“O triunfo desta história não é necessário apenas para o nosso país, mas também – sem exagerar – para o mundo inteiro”, afirmou Zelensky na quarta-feira à noite.

A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de trigo e outros cereais. Quase 20 milhões de toneladas de grãos estão bloqueadas nos portos da região de Odessa pela presença de navios de guerra russos e de minas, instaladas por Kiev para defender sua costa.

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