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Do ideal antigo à realidade presente

Uma exposição aberta no Rio percorre, por meio da arte e da tecnologia, cem anos da história dos robôs

Do ideal antigo à realidade presente
Do ideal antigo à realidade presente
O robô da Televox, nos Estados Unidos, em 1928, e imagens da peça de teatro iWork - Imagem: Televox USA e iWork
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No auge do confinamento social pandêmico, entre os meses de março e agosto de 2020, o robô doméstico imaginado por ­Hanna-Barbera nos anos 1960, na série Os Jetsons, tornou-se o sonho dourado das classes mais abastadas. De tão desejados, os aspiradores-robô se esgotaram no mercado brasileiro.

Ideal do passado e realidade do presente, os robôs domésticos estão entre aqueles retratados na exposição 100 Anos de Robôs, aberta na quarta-feira 20, no Centro Cultural Oi Futuro, no Flamengo, no Rio. Uma “família” de cinco robôs aspiradores é exposta, em funcionamento, em uma sala mobiliada que remete a uma residência.

Em tempos de realidade virtual, metaverso e robôs digitais, a exposição se propõe a ser, sobretudo, física. “Ela é quase analógica”, brinca Fred Paulino, produtor, artista e curador. “A ideia é sair do lugar-comum do que as pessoas pensam e visualizam quando se fala em robô. Os robôs não são só os digitais. Queríamos mostrar essa história em seus diversos tempos.”

De acordo com os curadores, a palavra robô está completando 100 anos. Ela teria sido usada, pela primeira vez, na peça R.U.R. – Rossum’s Universal Robots, de Karel Čapek, encenada em Praga em 1921.

Ainda na década de 1920, Fritz Lang criaria uma cidade futurista em ­Metrópolis (1927) – filme ao qual a exposição também faz referência.

E ficaram para sempre no imaginário das pessoas os simpáticos R2D2 e ­C-3PO, materializados por George ­Lucas, em Star Wars, nos anos 1970.

Ao mesmo tempo que dá ênfase à presença dos robôs em diversas manifestações culturais – do cinema aos livros, passando pelos mangás –, a exposição incorpora a arte que dialoga com a robótica.

Desde a arte cinética e cibernética, nos anos 1960, até a arte tecnológica contemporânea, toda essa relação é explorada. “Reunimos vários artistas que tangenciam a robótica, até para explorar as diferentes possibilidades de se abranger esse tema”, diz Paulino.

Um destaque, no conjunto apresentado, é a instalação Robôs Desenhistas, na qual três robôs criados pelo artista belga Patrick Tresset desenham, de forma autônoma, os rostos dos visitantes.

A curadoria coube, além de Paulino, ao artista, pesquisador e curador ZavenParé e ao artista e cenógrafo Sérgio Marimba, reconhecido por seu trabalho no Carnaval do Rio. •

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1205 DE CARTACAPITAL, EM 27 DE ABRIL DE 2022.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título “Do ideal antigo à realidade presente”

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