Política

Barroso critica Bolsonaro e diz que ‘faltam adjetivos’ para qualificar vazamento de inquérito

O presidente do TSE declarou que o ex-capitão facilitou a exposição do processo eleitoral a ataques de criminosos

Barroso critica Bolsonaro e diz que ‘faltam adjetivos’ para qualificar vazamento de inquérito
Barroso critica Bolsonaro e diz que ‘faltam adjetivos’ para qualificar vazamento de inquérito
O Tribunal Superior Eleitoral retomou os trabalhos de 2021 nesta terça-feira 1. Foto: Reprodução
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, disse que o presidente Jair Bolsonaro (PL) facilitou a exposição do processo eleitoral brasileiro ao vazar um inquérito sigiloso que tratava de uma invasão hacker ao sistema de votação. A declaração do magistrado ocorreu nesta terça-feira 1º, durante sessão de abertura dos trabalhos da Corte neste ano.

Barroso chegou a dizer que “faltam adjetivos” para descrever o ato de Bolsonaro. Na sexta-feira 29, a Polícia Federal caracterizou o vazamento do inquérito como criminoso.

O ex-capitão divulgou a investigação no ano passado, em transmissão ao vivo nas redes sociais, para levantar suspeitas contra a lisura do processo eleitoral e defender a aprovação do voto impresso.

Em tom enérgico, Barroso lembrou que “informações sigilosas que foram fornecidas à Polícia Federal para auxiliar uma investigação foram vazadas pelo próprio presidente da República em redes sociais, divulgando dados que auxiliam milícias digitais e hackers de todo o mundo”. Na sequência, completou: “O presidente da República vazou a estrutura interna da TI do Tribunal Superior Eleitoral”.

Segundo Barroso, o TSE precisou tomar providências para reforçar a proteção cibernética dos sistemas da Corte.

Faltam adjetivos para qualificar a atitude deliberada de facilitar a exposição do processo eleitoral brasileiro a ataques de criminosos. Sempre lembrando: a maior segurança das urnas eletrônicas brasileiras é que elas nunca entram em rede”, ressaltou.

O ministro disse ainda que “não há qualquer sentido de retomar debate sobre voto impresso” e que “o retrocesso assombrou o País no ano passado”.

Barroso fez o discurso desde Washington, nos Estados Unidos, após encontros com o presidente da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, e o secretário de Fortalecimento da Democracia, Francisco Guerrero.

O magistrado afirmou que receberá, na quarta-feira 2, o relatório da OEA sobre as eleições de 2020. Segundo ele, desde 2018 há uma missão da Organização que acompanha passo a passo os processos de votação no Brasil. A instituição deve acompanhar novamente a eleição neste ano. Antes de chegar à capital americana, o presidente do TSE também visitou Portugal para observar as eleições legislativas.

Os mandatos de Barroso e Rosa Weber na presidência e na vice-presidência do Tribunal vão até 28 de fevereiro deste ano. Em seu lugar, entram os ministros Edson Fachin – como presidente –  e Alexandre de Moraes – como vice.

Participaram da sessão, além de Barroso, Fachin e Moraes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e demais ministros do TSE: Mauro Campbell, Carlos Horbach, Sérgio Banhos e Benedito Gonçalves.

Em seu discurso, Aras disse desejar “clima de paz e harmonia” ao pleito deste ano.

“A todos que compõem a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral, compete propiciar segurança jurídica para que a vontade do eleitor se concretize”, discursou o procurador. “O voto votado deve ser o voto apurado. E as urnas eletrônicas desempenham bem, com eficiência, esta função relevante em tantos anos que aqui nós temos de experiência.”

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