Política
Em cerimônia com Moro, Santos Cruz se filia ao Podemos e pede um presidente ‘liberal’
Apesar da atuação do ex-juiz na Lava Jato, o general afirmou que a política ‘não pode ser criminalizada’
O general Carlos Alberto dos Santos Cruz se filiou ao Podemos, nesta quarta-feira 25, em cerimônia em Brasília. Participou do evento, entre outros, o ex-juiz Sergio Moro. Ambos os personagens serviram ao governo de Jair Bolsonaro: Santos Cruz, como ministro da Secretaria de Governo, até junho de 2019; e Moro, como ministro da Justiça e da Segurança Pública, até abril de 2020.
Em 10 de novembro, Moro também se juntou oficialmente ao Podemos, em cerimônia que serviu como o lançamento extraoficial de sua pré-candidatura à Presidência da República em 2022. Entusiasta do projeto eleitoral encabeçado por Moro, Santos Cruz não escondeu o tom de campanha.
“Acredito no projeto, na pessoa do doutor Sergio Moro. É uma oportunidade de participar direto desse apoio entrando no Podemos”, afirmou o militar da reserva na abertura de seu discurso. Santos Cruz ainda declarou que “a política não pode ser criminalizada”, embora esta seja uma das principais acusações contra a atuação de Moro na Operação Lava Jato, fundamental para a ascensão de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Segundo Santos Cruz, “o Brasil não pode continuar acreditando e procurando um salvador da Pátria”. Ele também expôs o que espera do próximo presidente da República.
“O governante tem de ser liberal na economia, mas apaixonado pelas causas sociais. As causas sociais envolvem o aspecto emocional também, porque a nossa imoral diferença social exige também engajamento emocional, não só planejamento”, avaliou o militar.
Antes do pronunciamento de Santos Cruz, Moro fez um breve discurso, no qual minimizou os riscos da entrada de militares na política.
“O general vem somar mostrando que essa separação, que não faz nenhum sentido, entre militar é civil é algo que temos de superar. Somos todos brasileiros, estamos no mesmo barco”, afirmou Moro. “Não existe oposição que se quis fazer no passado, em governos anteriores, colocando o militar com viés negativo, e nem no governo atual, querendo colocar o militar como alguém superior aos brasileiros em geral. Somos todos iguais, somos todos irmãos.”
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