Política
O bobo da corte
O bom humor de Cabral parece se restringir a palácios. Nunca foi suficiente para contagiar a população
“Com a corda toda.” Este foi o título da coluna Panorama Político do jornal O Globo, de sábado 4.
O jornalista Ilimar Franco comentou o sucesso do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, em almoço realizado, na véspera, no Palácio Jaburu, em Brasília. No evento, Sua Excelência brindou os convivas com um show de imitações. O ministro Aloizio Mercadante e o ex-presidente Lula inspiraram a troça.
Essa matéria acabou inspirando uma longa conversa com meu amigo Raposão, também apelidado de PicaPau – porque é mau como pica-pau. Adoro ouvir meu querido intelectual sempre, sobre todos os assuntos, principalmente políticos, claro.
Comentando como deve ter transcorrido a cena, eu lembrei que o governador do Rio deve ter o viés bem humorado de seu pai, o boa gente Sergio Cabral, que sabe tudo de samba e boa prosa.
Meu amigo Raposo, porém, reagiu ácido:
– O bom humor de Cabral, porém, parece se restringir a palácios. Nunca foi suficiente para contagiar a população do Estado do Rio de Janeiro, que sofre com uma realidade que ele dá provas de desconhecer.
E continua:
– Quando o assunto é sério, quando muito, são os assessores do governador que aparecem. As tragédias de Angra dos Reis, da Região Serrana e, recentemente, do desabamento dos prédios do Centro do Rio não motivaram a maior autoridade pública do Estado a dar o ar da graça.
Concordei com Raposão. Mas lembrei a ele que Cabral sempre emitiu nota à imprensa, cada vez que houve algum problema, e que o Governo do Estado, através de algum representante oficial, estava no local.
Quando achei que Raposão ia concordar, lá vem nova afirmação sempre serena, mas direta e afiada
– Pois é, mas quando se trata de viagens, o governador se anima. Lógico, se a previsão do tempo for boa.
Sua linha de pensamento é concluída :
– Certamente, este mês, não terá nenhum “compromisso oficial” na Europa gelada. Não tem graça. Mas quem sabe alguma inauguração em Mangaratiba ou algum convênio para assinar em Trancoso, na Bahia?
Só para lembrar, no ano passado, depois de outra tragédia no Rio, envolvendo um bondinho no bairro de Santa Teresa, Sua Excelência foi a Lisboa avaliar como funcionam os “elétricos” da Terrinha, ainda que a tarefa
devesse ter sido delegada aos técnicos – ou representantes – do Governo.
Raposão, claro, cutucou essa viagem “técnica” do governador:
– Sua Excelência deve ter voltado ao Brasil, imitando, com perfeição, o sotaque português, para encanto da plateia habitual e desencanto da população fluminense.
Sem perder o bom humor, resolvemos continuar otimistas. Afinal, seria muito bom que no seu último mandato, o governador do Rio de Janeiro arregaçasse as mangas e imitasse, para valer, governantes sérios, comprometidos com o bem público. O Rio de Janeiro precisa mais do que um bobo da corte.
A Região Serrana não foi recuperada; o bondinho de Santa Teresa continua fora dos trilhos; trens, barcas e metrô estão funcionando muito mal; a Baía de Guanabara continua poluída. Sem falar dos indicadores da Educação e da Saúde no Estado, que são uma verdadeira piada de mau gosto…
“Com a corda toda.” Este foi o título da coluna Panorama Político do jornal O Globo, de sábado 4.
O jornalista Ilimar Franco comentou o sucesso do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, em almoço realizado, na véspera, no Palácio Jaburu, em Brasília. No evento, Sua Excelência brindou os convivas com um show de imitações. O ministro Aloizio Mercadante e o ex-presidente Lula inspiraram a troça.
Essa matéria acabou inspirando uma longa conversa com meu amigo Raposão, também apelidado de PicaPau – porque é mau como pica-pau. Adoro ouvir meu querido intelectual sempre, sobre todos os assuntos, principalmente políticos, claro.
Comentando como deve ter transcorrido a cena, eu lembrei que o governador do Rio deve ter o viés bem humorado de seu pai, o boa gente Sergio Cabral, que sabe tudo de samba e boa prosa.
Meu amigo Raposo, porém, reagiu ácido:
– O bom humor de Cabral, porém, parece se restringir a palácios. Nunca foi suficiente para contagiar a população do Estado do Rio de Janeiro, que sofre com uma realidade que ele dá provas de desconhecer.
E continua:
– Quando o assunto é sério, quando muito, são os assessores do governador que aparecem. As tragédias de Angra dos Reis, da Região Serrana e, recentemente, do desabamento dos prédios do Centro do Rio não motivaram a maior autoridade pública do Estado a dar o ar da graça.
Concordei com Raposão. Mas lembrei a ele que Cabral sempre emitiu nota à imprensa, cada vez que houve algum problema, e que o Governo do Estado, através de algum representante oficial, estava no local.
Quando achei que Raposão ia concordar, lá vem nova afirmação sempre serena, mas direta e afiada
– Pois é, mas quando se trata de viagens, o governador se anima. Lógico, se a previsão do tempo for boa.
Sua linha de pensamento é concluída :
– Certamente, este mês, não terá nenhum “compromisso oficial” na Europa gelada. Não tem graça. Mas quem sabe alguma inauguração em Mangaratiba ou algum convênio para assinar em Trancoso, na Bahia?
Só para lembrar, no ano passado, depois de outra tragédia no Rio, envolvendo um bondinho no bairro de Santa Teresa, Sua Excelência foi a Lisboa avaliar como funcionam os “elétricos” da Terrinha, ainda que a tarefa
devesse ter sido delegada aos técnicos – ou representantes – do Governo.
Raposão, claro, cutucou essa viagem “técnica” do governador:
– Sua Excelência deve ter voltado ao Brasil, imitando, com perfeição, o sotaque português, para encanto da plateia habitual e desencanto da população fluminense.
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