Política

Associações de magistrados agora dizem apoiar decisão do STF

AMB afirmou que de modo algum perdeu ou o CNJ ganhou; Eliana Calmon afirma ter sofrido tentativa de minar sua credibilidade

Associações de magistrados agora dizem apoiar decisão do STF
Associações de magistrados agora dizem apoiar decisão do STF
Entidades de juízes pediam que conduta da corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon, seja investigada. Foto: José Cruz/ABr
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Pouco depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) manter os poderes de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por 6 votos a 5, a ministra  Eliana Calmon disse ter ficado muito incomodada com o esforço de entidades, como a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), para minarem sua credibilidade. A declaração foi feita ao blog do jornalista Frederico Vasconcelos, na Folha Online.

“O que mais me incomodou foi a posição das associações ao me acusarem de ter cometido crime”, disse ela.

A decisão repercutiu nas Associações de Magistrados. Nelson Calandra, presidente da AMB – que entrou com a ação para redução dos poderes do órgão fiscalizador – afirmou, ainda no final da sessão, que em hipótese alguma a AMB perdeu ou o CNJ saiu fortalecido.

“Quem saiu fortalecido foi a Magistratura brasileira quando tivemos o resultado, em última instância, dado pelo STF. É importante que se diga que a AMB quis uma manifestação do STF sobre os assuntos polêmicos. Fomos vencidos mais não estamos convencidos. O resultado dado pelo Supremo foi apertado, um voto apenas de diferença, de uma corte de 11 Ministros”, disse.

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que apoiava até então que se esvaziasse os poderes de fiscalização do CNJ, também declarou que a magistratura foi fortalecida e que aceitou a decisão com naturalidade. Por meio de nota, no entanto, ressaltou que defende que a atuação da Corregedoria do CNJ seja pauta pela legislação em vigor “para que suas apurações não venham a ser questionadas judicialmente no futuro” – como no caso de Eliana Calmon, acusada de quebrar o sigilo de 200 mil magistrados e funcionários.

Na opinião do novo presidente da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj), desembargador Cláudio Dell’Orto, a  decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o poder de investigar magistrados independentemente das corregedorias dos tribunais foi “correta”,

Para Dell’Orto, resta saber, no entanto, se o conselho não ficará sobrecarregado com investigações. “Isso poderá gerar uma sobrecarga de trabalho para o CNJ e uma dificuldade até maior de fiscalizar as próprias corregedorias”, disse o desembargador, que assume nesta sexta-feira 3 a presidência da Amaerj.

Dell’Orto acredita que, para evitar a sobrecarga, o CNJ deverá concentrar seus esforços em casos mais graves, deixando o restante das investigações para as corregedorias dos tribunais. “A impressão que nós temos é que o CNJ vai exigir das corregedorias uma atuação mais efetiva. Acho que vai permanecer como já acontece hoje. Atualmente, o CNJ seleciona alguns casos que ele considera mais relevantes, para fazer uma atuação direta. Os casos mais corriqueiros ficam com as corregedorias”, disse o desembargador.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, afirmou, por meio de nota, que a decisão do STF representa uma vitória para a sociedade brasileira, já que o CNJ é visto como um “instrumento de democratização do Judiciário”.

Para o presidente da OAB-RJ, as corregedorias são “historicamente inoperantes e nunca enfrentaram como deveriam os desvios de conduta praticados por magistrados”.

*Com informações da Agência Brasil

Pouco depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) manter os poderes de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por 6 votos a 5, a ministra  Eliana Calmon disse ter ficado muito incomodada com o esforço de entidades, como a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), para minarem sua credibilidade. A declaração foi feita ao blog do jornalista Frederico Vasconcelos, na Folha Online.

“O que mais me incomodou foi a posição das associações ao me acusarem de ter cometido crime”, disse ela.

A decisão repercutiu nas Associações de Magistrados. Nelson Calandra, presidente da AMB – que entrou com a ação para redução dos poderes do órgão fiscalizador – afirmou, ainda no final da sessão, que em hipótese alguma a AMB perdeu ou o CNJ saiu fortalecido.

“Quem saiu fortalecido foi a Magistratura brasileira quando tivemos o resultado, em última instância, dado pelo STF. É importante que se diga que a AMB quis uma manifestação do STF sobre os assuntos polêmicos. Fomos vencidos mais não estamos convencidos. O resultado dado pelo Supremo foi apertado, um voto apenas de diferença, de uma corte de 11 Ministros”, disse.

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que apoiava até então que se esvaziasse os poderes de fiscalização do CNJ, também declarou que a magistratura foi fortalecida e que aceitou a decisão com naturalidade. Por meio de nota, no entanto, ressaltou que defende que a atuação da Corregedoria do CNJ seja pauta pela legislação em vigor “para que suas apurações não venham a ser questionadas judicialmente no futuro” – como no caso de Eliana Calmon, acusada de quebrar o sigilo de 200 mil magistrados e funcionários.

Na opinião do novo presidente da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj), desembargador Cláudio Dell’Orto, a  decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o poder de investigar magistrados independentemente das corregedorias dos tribunais foi “correta”,

Para Dell’Orto, resta saber, no entanto, se o conselho não ficará sobrecarregado com investigações. “Isso poderá gerar uma sobrecarga de trabalho para o CNJ e uma dificuldade até maior de fiscalizar as próprias corregedorias”, disse o desembargador, que assume nesta sexta-feira 3 a presidência da Amaerj.

Dell’Orto acredita que, para evitar a sobrecarga, o CNJ deverá concentrar seus esforços em casos mais graves, deixando o restante das investigações para as corregedorias dos tribunais. “A impressão que nós temos é que o CNJ vai exigir das corregedorias uma atuação mais efetiva. Acho que vai permanecer como já acontece hoje. Atualmente, o CNJ seleciona alguns casos que ele considera mais relevantes, para fazer uma atuação direta. Os casos mais corriqueiros ficam com as corregedorias”, disse o desembargador.

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