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Presidente chileno se defende no Congresso de tentativa de impeachment

O processo de impedimento está sendo discutido após a revelação feita pelos Pandora Papers de polêmica venda de uma mineradora

Presidente chileno se defende no Congresso de tentativa de impeachment
Presidente chileno se defende no Congresso de tentativa de impeachment
O Presidente do Chile, Sebastián Piñera. Foto: CLAUDIO REYES/AFP
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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, entregou sua defesa à Câmara dos Deputados na noite de quinta-feira 28, por escrito, no âmbito da acusação por seu impeachment que está sendo analisada por uma comissão legislativa, após a revelação feita pelos Pandora Papers de polêmica venda de uma mineradora.

Representantes do presidente entregaram o documento ao secretário-geral da Câmara dos Deputados por volta da meia-noite de ontem. Cumpriram, assim, o prazo de dez dias úteis que Piñera teve, depois de ser notificado pela acusação em 16 de outubro passado, informaram fontes da Casa à AFP.

O advogado de Piñera vai expor a defesa de seu cliente nesta sexta-feira 29, perante uma comissão de cinco deputados – três da oposição, e dois, do governo – formada para estudar a acusação.

Controlada pela oposição, a Câmara dos Deputados deve votar no dia 8 de novembro se aprova, ou rejeita, a denúncia.

Se aprovado, o caso segue para o Senado, que teria de atuar como júri. Na Câmara alta, há um maior equilíbrio de forças entre o partido da situação e a oposição,

Segundo uma investigação dos veículos de comunicação locais CIPER e LaBot, parte dos chamados Pandora Papers do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), uma empresa dos filhos do presidente vendeu a Mineradora Dominga para o empresário Carlos Alberto Délano, amigo íntimo de Piñera, por 152 milhões de dólares. O negócio foi, em parte, selado nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

O pagamento da operação deveria ser feito em três parcelas. No acordo, uma polêmica cláusula condicionava o último pagamento a que “não se estabelecesse uma área de proteção ambiental sobre a zona de operações da mineradora, como reivindicam grupos ambientalistas”.

O negócio foi fechado em 2010, durante o primeiro governo de Piñera (2010-2014), que nada fez para proteger a área em questão.

Um dos homens mais ricos do Chile, Sebastián Piñera alega que deixou a administração de suas empresas em 2009, antes de assumir seu primeiro governo. Por isso, afirma, não participou da venda da mineradora Dominga.

Uma pesquisa publicada pela empresa Ipsos na quinta-feira 28 revela que 60% dos entrevistados está de acordo com a abertura de um processo de impeachment de Piñera. Em tese, ele deixará a presidência em 11 de março de 2022.

No final de 2019, Piñera já havia sofrido uma tentativa de impeachment pela violenta repressão às multitudinárias manifestações contra a desigualdade socioeconômica no país, mas a iniciativa não prosperou.

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