Sociedade

Desmatamento da Amazônia pode condenar 11 milhões de brasileiros ao calor extremo

O problema tem como base um processo chamado savanização, agravado pelas queimadas e pelo desmatamento na Amazônia

Desmatamento da Amazônia pode condenar 11 milhões de brasileiros ao calor extremo
Desmatamento da Amazônia pode condenar 11 milhões de brasileiros ao calor extremo
Grupo indígena protesta contra incêndios na Amazônia em rodovia (Foto: JOÃO LAET / AFP)
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Diante do atual ritmo do desmatamento da Amazônia e da crise climática global, 11 milhões de brasileiros poderão amargar, em 2100, um calor que supera 34ºC na sombra. Esta é a conclusão de uma pesquisa publicada na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, divulgada nesta sexta-feira 1º.

Com base em modelos matemáticos aplicados à atual situação do clima no País, os pesquisadores preveem um aumento das temperaturas atuais entre 7,5° e 11,5° em regiões do Norte brasileiros. As hipóteses são divididas em dois cenários: um moderado e um mais pessimista.

No cenário moderado, o calor de 34ºC atingiria 6 milhões de cidadãos, concentrados principalmente na região Norte. No cenário mais pessimista, os moradores da região Norte do País estariam condenados a viver sob um calor intenso de 41º C na sombra em dias mais quentes. Neste caso, estariam sob risco 11 milhões de pessoas.

O problema, segundo os pesquisadores, tem como base um processo chamado savanização, no qual a floresta amazônica dá lugar a uma vegetação menos densa e de menor altura. Neste cenário, as chuvas no continente seriam mais raras, já que a floresta não faria mais parte do processo que garante umidade ao ar.

“Se o desmatamento continuar nas proporções atuais, os efeitos serão dramáticos para a civilização”, afirmou o pesquisador Paulo Nobre, do Inpe, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores alertam ainda que os modelos são ‘exagerados’ pois preveem um cenário sem floresta e que, portanto, não necessariamente vão se concretizar no curto prazo. Para isso, no entanto, será preciso conter de forma rápida o acentuado ritmo do desmatamento e iniciar de maneira urgente um projeto de reflorestamento nas áreas já desmatadas.

Nos últimos 12 meses até agosto, a Amazônia perdeu 8.712 km², 5% menos do que os 9.126 km² destruídos entre agosto de 2019 e julho de 2020, o máximo registrado desde que o Inpe começou a publicar estes dados em 2015.

Ambientalistas, associações de indígenas – que em sua maioria vivem na Amazônia – e a comunidade internacional acusam o governo brasileiro de permitir o aumento do desmatamento e de desmontar os organismos de proteção do bioma.

*com informações de AFP

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