Sociedade
Havelange renuncia à presidência de honra da Fifa
O brasileiro renunciou depois que o comitê de ética da entidade concluiu que ele recebeu subornos durante sua etapa como presidente e esteve envolvido no escândalo ISL
ZURIQUE (AFP) – O brasileiro João Havelange renunciou ao cargo de presidente de honra da Fifa órgão que rege o futebol mundial, depois que o comitê de ética da entidade concluiu que ele recebeu subornos durante sua etapa como presidente. O anúncio foi feito nesta terça-feira 30 em meio ao escândalo de corrupção que mancha a organização por mais de uma década.
O escândalo ‘ISL’ explodiu em 2012, quando o canal britânico BBC exibiu uma reportagem que afirmava que a empresa de marketing International Sports and Leisure (ISL) obteve os direitos para várias Copas do Mundo, antes da falência em 2001, pagando subornos a membros da Fifa. O relatório, publicado nesta terça-feira 30 pelo comitê independente de ética criado em julho de 2012 pela Fifa, conclui que Havelange recebeu “consideráveis quantidades”, assim como Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, e o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação Sul-Americana (Conmebol).
Havelange, de 96 anos, renunciou ao cargo honorário em 18 de abril, enquanto Leoz, de 84, apresentou sua renúncia no dia 24. A comissão de ética, no entanto, absolveu o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, de qualquer envolvimento no caso ISL. “O comportamento do presidente Blatter de nenhum modo pode ser considerado incorreto a respeito das normas de ética”, destaca o comitê sobre o dirigente suíço.
Blatter se mostrou satisfeito com a resolução em um comunicado publicado no site da Fifa. “Chegou ao meu conhecimento o relatório do presidente do órgão de decisão da Comissão de Ética da Fifa, Hans-Joachim Eckert, sobre o caso ISL. Destaco em particular que o presidente indica, em suas conclusões, que a Comissão de Ética encerrou o caso ISL e que não é necessário abrir outros procedimentos contra outros funcionários do futebol”, afirma. “Para o comitê de ética, o caso ISL está encerrado”, concluiu Eckert.
Leia mais em AFP Movel.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



