Cultura
O Japão volta ao Brasil
Após três décadas de baixo investimento, as empresas nipônicas redescobrem o País
Diversas coincidências aproximam a vida de Fujiyoshi Hirata da história das relações comerciais entre o Japão e o Brasil. Elas começaram em 1967, quando Hirata, aos 22 anos, trocou sua terra natal por Porto Alegre (RS). A chegada ao País seguiu o fluxo das ondas de investimentos japoneses. O jovem trabalhou por cinco anos na Kurashiki, indústria têxtil instalada no Sul desde os anos 1950. A experiência fez dele um adepto do chimarrão, hábito que ainda cultiva. A passagem por Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, polo de migração nipônica, o levaria a jogar tênis. Hirata fez uma carreira longa na Rohm, fabricante de semicondutores que encerrou suas atividades por aqui em 1997.
Na década de 1970, Hirata assistiu à explosão de investimentos japoneses no Brasil. No fim daquela década, 215 empresas de seu país vendiam produtos e serviços em solo brasileiro, entre elas alguns símbolos do então emergente capitalismo nipônico. Honda, Sony, Yakult e Mitsui são algumas das marcas que se tornariam conhecidas do público nativo e potências globais. “Cerca de 80% das empresas presentes atualmente chegaram naquela época”, afirma Hirata, hoje secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil (CCIJB).
Depois de um período de baixa, as relações entre os dois países voltaram a se aquecer e uma nova onda, a terceira, de investimentos japoneses parece se consolidar. A CCIJB registra atualmente 207 companhias associadas, adesão crescente desde 2004. Nos últimos cinco anos, os investimentos diretos de empresas nipônicas no País somaram 17 bilhões de dólares, mais que o dobro aplicado entre 1998 e 2007. “Por um longo tempo os japoneses olharam mais para seus vizinhos asiáticos, pela facilidade de comunicação e transações”, informa o executivo.
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