Cultura

O grande irmão

Com ‘O Mestre’, Paul Thomas Anderson fez uma radiografia arguta de um país desolado moral e fisicamente. Por Orlando Margarido

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O MESTRE


Paul Thomas Anderson

Em algum instante de uma nação enfraquecida por tragédias ou eventos conturbados, como uma guerra, surgem expedientes e heróis da hora de todo o calibre. O presidente americano Abraham Lincoln aproveitou-se do grande confronto civil para impor a emenda da abolição dos escravos em 1863, como nos mostra Steven Spielberg em Lincoln.

É em outra esfera, mas com princípio menos magnânimo, que corre a trama de O Mestre, filme que deu a Paul Thomas Anderson o Leão de Prata de melhor diretor no Festival de Veneza.

No caso dessa ficção em cartaz a partir de sexta 25, temos o encontro do cidadão comum e fragilizado pelo front com uma espécie de mentor espiritual que vem a calhar a ele e a toda a América.

Os personagens são Freddie Quell e Lancaster Dodd, interpretados respectivamente por Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, e premiados merecidamente em dupla no festival italiano.

Quell acaba de servir na Segunda Grande Guerra e retorna para casa perdido, numa situação dos Estados Unidos também à deriva.

 

Torna-se dependente de álcool e de sexo. Tem tudo para surtir efeito sobre suas atitudes intempestivas, portanto, a acolhida de Dodd e sua família, ele um misto de médico e filósofo controverso, que mais parece praticar o charlatanismo. Mas, nessa prática estão as raízes da cientologia, a doutrina que hoje acolhe astros como Tom Cruise e John Travolta.

Thomas Anderson titubeou em assumir a inspiração e afinal confirmou que por essa estranha seita faz sua radiografia arguta de um país desolado moral e fisicamente, como o soldado protagonista.

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