Cultura

Charme cafajeste

Clark Gable conquistou Hollywood encarnando homens de bom coração por trás da aparência rude

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O olhar oblíquo, o vozeirão, o meio sorriso maroto, o bigodinho de conquistador: com esses atributos, Clark Gable (1901-1960) foi um dos grandes nomes do cinema nos anos 1930, deixando na poeira galãs mais formosos e insípidos.

Não foi fácil. Filho de um lavrador de Ohio, Gable trabalhou em poços de petróleo, vendeu gravatas e fez caricaturas para sobreviver. Quando chegou a Hollywood em 1924, pelas mãos de sua primeira mulher, a atriz de teatro Josephine Dillon, 17 anos mais velha, o chefão da MGM, Louis B. Mayer, achou que aquele jovem “feio e orelhudo” não tinha futuro como ator. Acabou contratando-o só em 1930, por insistência de atrizes como Joan Crawford.

Em poucos anos ele tornou-se o principal astro do estúdio, encarnando homens de bom coração por trás da aparência rude e do charme cafajeste. Emprestado à Columbia, ganhou seu único Oscar contracenando com Claudette Colbert na comédia Aconteceu Naquela Noite (1934), de Frank Capra. Seria indicado também por O Grande Motim (Frank Lloyd, 1935) e E o Vento Levou (Victor Fleming, 1939).

No início de 1942, a morte de sua terceira mulher, Carole Lombard, num desastre aéreo, mergulhou-o no alcoolismo. Engajou-se na Força Aérea e serviu na Europa na Segunda Guerra Mundial. De volta aos EUA, ajudou a fundar a Aliança do Cinema pela Preservação dos Ideais Americanos e trabalhou com diretores como Ford, Walsh, Wellman e Wise, mas o encanto tinha se perdido.

Morreu de infarto aos 59 anos, sem ver pronto seu último filme (Os Desajustados, de John Huston) e sem conhecer seu único filho, que a atriz Kay Williams deu à luz alguns meses depois.

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Aconteceu Naquela Noite (1934)


Filha mimada (Claudette Colbert) foge do iate do pai para encontrar o aviador com quem casou em segredo. Na viagem de ônibus a Nova York, conhece um repórter safado (Gable). A relação de amor e ódio faz a delícia dessa comédia de Capra que ganhou Oscars de filme, diretor, ator, atriz e roteiro.

O Grande Motim (1935)


No século XVIII, o navio inglês Bounty vai ao Taiti em busca de mudas de fruta-pão. Na volta, o marujo Fletcher Christian (Gable), que se envolveu com uma nativa, lidera uma revolta contra o despótico capitão Blight (Charles Laughton). O filme de Frank Lloyd é a melhor das várias versões do fato real ocorrido em 1789.

Os Desajustados (1961)


Em Reno, Nevada, a recém-divorciada Roslyn (Marilyn Monroe) conhece o veterano caubói Gay Langland (Gable), que a leva a seu rancho. Juntam-se a eles dois amigos de Langland (Montgomery Clift e Eli Wallach), que o ajudam a capturar cavalos selvagens. Drama poderoso de Huston, foi o último filme de Marilyn e de Gable.

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