Cultura
Sob o domínio do amor
Em Além das Montanhas, Cristian Mungiu retrata uma Romênia equilibrada entre um passado traumático de ditadura comunista e um presente incerto
Além das Montanhas
Cristian Mungiu
De início, Além das Montanhas, filme do cineasta romeno Cristian Mungiu que estreou na sexta 11, nos intriga pelo contexto. Estranha-se que o diretor de um drama urbano e social tão pungente como Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias nos leve agora ao interior de um monastério regido por leis arcaicas e sob domínio de um religioso que se evoca o pai de todos ali.
O período é atual, mas há uma sensação de atemporalidade. Isso até o momento em que a realidade venha a se intrometer e a história cresça para contornos mais críticos a uma Romênia equilibrada entre um passado traumático de ditadura comunista, revisto no trabalho anterior, e um presente incerto.
O propósito de Mungiu então se impõe, não sem o rigor formal de belos planos-sequência. Mas está no drama o notável aqui, que lhe valeu o prêmio de melhor roteiro durante o Festival de Cannes realizado em 2012, assim como de melhor atriz atribuído às duas jovens intérpretes centrais.
A trama é tanto mais perturbadora por suscitar a relação entre duas jovens da ordem religiosa em que não falta certo grau de erotismo. Houve mais que amizade antes que uma delas (Cristina Flutur) decidisse se dedicar à vida religiosa. A outra (Cosmina Stratan) aparece um dia para cobrar a decisão e permanecer no monastério. Enquanto a primeira diz ter como certa sua vocação religiosa, a segunda passa a exibir sinais de crescente rebeldia e, por fim, de estar possuída.
Sua presença incômoda acaba por convulsionar o cotidiano a ponto de ocorrer o rompimento de tradições e preceitos. O exorcismo surge dessa forma com a dupla função de libertar a jovem e também como símbolo de um país que deseja romper com duras lembranças.
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