Cultura

O soberano não morre

Morto há 43 anos, Jimi Hendrix volta ao topo da parada americana com seu 12º título póstumo. Por Tárik de Souza

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por Tárik de Souza

People, Hell and Angels


Jimi Hendrix


Sony Music

Mesmo disputado por hordas de novatos virtuosos, iconoclastas ou meramente pretensiosos, o reino da guitarra permanece ocupado pelo mesmo monarca, morto há 43 anos. E o americano de uma Seattle pré-grunge, James Marshall Hendrix, o Jimi Hendrix (1942-1970), não se mantém no trono por acaso.

Além do incontestável talento como guitarrista, cantor, compositor e performer, lançado ao sucesso massivo em plena era Woodstock, era obcecado por seu trabalho. Ensaiava compulsivamente, enfurnava-se no estúdio, pesquisava sonoridades com sua guitarra, pedaleira e caixas de som. Na contramão de mimadas estrelas pop a soldo de gravadoras, ele pagava pelos registros e era dono das matrizes.

Por isso, apesar de ter lançado apenas quatro discos em vida, Are You Experienced?, Axis: Bold as Love (ambos de 1967), Electric Ladyland (1968) e Band of Gypsys (1970), o atual People, Hell and Angels, catapultado ao segundo lugar da parada americana, é seu 12º título póstumo, coproduzido por sua irmã, Janie L. Hendrix, responsável pelo acervo.

 

 

O álbum traz 12 inéditas registradas entre 1968 e 1970, após sua associação com o trio Experience, embora o baterista do grupo, Mitch Mitchell, participe de algumas sessões como Inside Out, em que Hendrix ainda atua como baixista.

O guitarrista Stephen Stills, do  Crosby, Stills, Nash & Young, foi convocado para o baixo na balada blues crivada de breques Somewhere. Billy Cox e Buddy Miles, da Band of Gypsys, alicerçam desempenhos devastadores de Hendrix, como em Hear My Train a Comin’.

A guitarra rítmica de Larry Lee pontua tanto o lamento Izabella quanto o encorpado Easy Blues. Embora as gravações soem desiguais,  têm um alinhavo comum. O traço requintado desse arquiteto que não se recusava a pôr as mãos na massa.

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