Cultura
Lar doce lar
Em Dentro da Casa, o diretor François Ozon nos remete a princípio a um dos seus universos favoritos, a família, em uma situação realista
Dentro da Casa
François Ozon
Em dentro da Casa, estreia da sexta 29, o diretor François Ozon nos remete a princípio a um dos seus universos favoritos, a família. Tratou dela em Ricky, a partir de um casal de operários e seu bebê incomum, e em Potiche, com um clã de aparente felicidade, logo revelada falsa e então transformada pela matriarca. No novo filme, temos a rigor três núcleos. Há o professor (Fabrice Luchini) e sua mulher (Kristin Scott Thomas), um casal sem filhos. Do primeiro se aproximará um adolescente (Ernst Umhauer), seu aluno talentoso e imaginativo na escrita, que na ausência de um lar ideal, apenas referido, adota o de um colega e passa a nele conviver.
Esta é situação, digamos, realista. Mas como gosta também de imprimir a suas histórias, Ozon lança um elemento desconcertante, que no caso avança para a seara psicanalítica e engloba elementos como a sedução e o voyeurismo. Ao se impor como o estranho na morada dos Artole, Claude, o rapazote, reflete sobre o contexto de aspiração classe média da família e, dissimulado, persegue e deseja a mãe frustrada (Emmanuelle Seigner). Tudo isso é narrado em seus textos de escola para deleite e fantasia do professor, que se deixa enredar na intrigante trama do garoto, influenciando seu próprio casamento. Estruturado o recurso dramático, a expectativa de um confronto e sua solução ganha andamento menos inquietante. Favorece, assim, mais a habilidade do cineasta em criar o clima certo e menos a capacidade de resolvê-lo, questão nada problemática a Hitchcock, que parece ser um de seus inspiradores aqui.
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