Cultura

Com carreira no exterior, Rosa Passos carece de luz ao seu trabalho no Brasil

Uma contribuição foi dada num livro que expõe sua maneira única de cantar

Com carreira no exterior, Rosa Passos carece de luz ao seu trabalho no Brasil
Com carreira no exterior, Rosa Passos carece de luz ao seu trabalho no Brasil
Foto: Divulgação
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A cantora e compositora baiana Rosa Passos lançou seu primeiro disco em 1979, ainda em formato LP. Em 1993, veio o aclamado A Festa. A partir daí firmou carreira no exterior, notadamente Japão, Europa e Estados Unidos. Seus álbuns circulam com facilidade no exterior.

Fortemente influenciada na maneira de cantar e tocar violão de João Gilberto, o repertório com clássicos da Bossa Nova e outros compositores conhecidos da música brasileira, como Ary Barroso, Dorival Caymmi, Djavan, João Bosco, Gilberto Gil, ajudou na sua projeção.

A artista reúne no seu jeito de cantar os elementos rítmicos e timbrísticos excepcionais da música brasileira e o scat, a técnica do jazz norte-americano que consiste em cantar vocalizando, modulando a voz em determinadas sílabas da canção. Com cantar quase falado e variações nos andamentos da canção, lembra João Gilberto. Mas agrega uma pulsação feminina e leve.

Rosa é ainda uma ótima compositora. Tem pelo menos meia dúzia de álbuns com suas composições de poesias melódicas bastante apuradas. Tudo harmonizado com o seu toque sutil e ritmado no violão.

O livro recém-lançado Rosa Passos, uma Artista de Criação (editora Appris), de Gabriella Cavalcanti, originado de uma pesquisa de mestrado em música, centra-se em estudar a performance da artista para compreender o processo de realização de sua forma de cantar.

A obra, além de contar um pouco a história da cantora, entra em minucias de três performances musicais de Rosa em suas versões para as músicas Águas de Março (Tom Jobim), A Ilha (Djavan) e Dunas (dela com Fernando Oliveira).

A criatividade musical de Rosa é esmiuçada no livro. Do rigor técnico ao improviso, afinação e inesperadas projeções da voz. Uma maneira de fazer música de uso pleno das possibilidades, na medida, sem exageros, com capacidade interpretativa de acentuações e fraseados íntegros e autênticos.

Rosa Passos lançou no início do ano mais um álbum, o Sem Compromisso, com o inseparável baixista Paulo Paulelli. Sua discografia soma duas dúzias de discos lançados com o melhor da música brasileira.

Já recebeu o título de doutor honoris causa na Berklee College of Music em Boston, uma das importantes instituições de ensino de música no mundo. Ela ainda percorrerá muito o exterior, mas aqui no Brasil carece de luz à sua obra.

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