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Na Tunísia, Femen protesta pela libertação de Amina Tyler

Grupo feminista fez o que pode ter sido o primeiro protesto topless da história do mundo árabe

Na Tunísia, Femen protesta pela libertação de Amina Tyler
Na Tunísia, Femen protesta pela libertação de Amina Tyler
As três ativistas do Femen podem ficar presas por seis meses por atentado ao pudor
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O Femen atacou de novo. Desta vez, o grupo feminista protestou na Tunísia, naquele que é, segundo a agência AFP, o primeiro protesto topless da história do mundo árabe. Duas francesas e uma alemã foram detidas pelas autoridades locais nesta quarta-feira 29 ao se postarem em frente a um tribunal em Túnis, capital do país, vestindo apenas pequenos shorts jeans.

A intenção do protesto era chamar atenção para o caso da tunisiana Amina Tyler. A garota, de 19 anos, ficou famosa ao publicar na internet, no fim de março, fotos dela própria com os seios de fora, com as inscrições “F… sua moral” e “Meu corpo pertence a mim e não é fonte de honra para ninguém”. Amina foi ameaçada de morte por líderes ultraconservadores e acabou presa por pichação (ela escreveu “Femen” no muro de um cemitério) e posse de spray de pimenta. Nesta quinta-feira 30, Amina deve ser julgada e pode pegar até dois anos de prisão.

De fato, o Femen conseguiu chamar a atenção para o caso de Amina, mas dificilmente vai atingir seu outro objetivo: libertar a mulher árabe. A situação das mulheres no Oriente Médio é, em geral, verdadeiramente precária, mas este tipo de protesto é totalmente alienígena ao mundo árabe e muçulmano por ser uma importação. Com suas manifestações, as ativistas do Femen atrelam a nudez ao feminismo, isolando a causa nas sociedades árabes e criando obstáculos para os avanços conseguidos pelas feministas árabes.

A própria reação dos tunisianos nesta quarta-feira comprova os efeitos que o Femen consegue. De acordo com a AFP, alguns pedestres ficaram indignados com a manifestação e tentaram cobrir as três garotas. Alguns agrediram os jornalistas que filmavam e fotografavam o protesto, acusando-os de dar espaço para a indecência. É um retrato das liberdades na Tunísia, e das dificuldades enfrentadas pela mulher árabe. Como se vê, elas não precisam de mais ninguém para deslegitimar a causa feminista.

 

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