Política
Alckmin vai processar a Siemens
Em meio a acusações de que integrantes do governo conheciam esquema de fraudes, tucano diz querer indenização da empresa alemã
Em meio a denúncias de que o governo de São Paulo tinha conhecimento sobre um esquema de fraude de licitações no transporte público, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), decidiu processar a Siemens, uma das empresas que teria participado da formação de cartel entre 1998 e 2007.
Alckmin negou a acusação de que o governo tucano sabia do esquema ou de que tenha sido negligente. “Conluio entre empresas no mundo inteiro não é fácil de ser identificado”, afirmou Alckmin. Segundo o governador, a intenção do processo é obter uma indenização por parte da Siemens. “O cálculo de quanto houve de sobrepreço, de quanto isso significa, vai ser feito o mais rápido possível”, disse. Se for provado que outras empresas participaram do cartel, disse Alckmin, elas também serão processadas.
Na sexta-feira 9, o governo paulista conseguiu acesso às investigações que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vem fazendo. Até aquela data, o Cade tentava manter em sigilo o processo alegando que precisa proteger o sigilo decorrente de um acordo de leniência que fez com executivos da Siemens em troca de informações sobre o cartel. Na decisão, o juiz alegou que o acesso aos autos pode acelerar possíveis punições a funcionários públicos, bem como proteger pessoas afetadas pela divulgação parcial das informações.
O cartel investigado pelo Cade teria sido formado, por pressão do governo tucano, para a realização da construção da linha 5 do metrô de São Paulo, cuja licitação foi realizada entre 1998 e 2000, quando o Estado era governado por Mário Covas (PSDB). O esquema, segundo a Folha de S.Paulo, durou até 2007. De acordo com a Folha e a revista Istoé, os tucanos tinham conhecimento do esquema de fraudes.
Outro caso envolve políticos tucanos. É o caso Alstom, investigado pela PF em dois inquéritos. O primeiro já está concluído e foi entregue ao Ministério Público Federal. De acordo com a Folha, neste inquérito a PF indiciou, por corrupção passiva, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos líderes da oposição na Câmara Municipal de São Paulo. O outro inquérito está em andamento.
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