Política

Em Juiz de Fora, bolsonaristas falam em vitória no 1º turno

Magno Malta diz que o atentado é “vontade permissiva de Deus”. Francischini afirma que candidato nem precisa ir mais para rua

Em Juiz de Fora, bolsonaristas falam em vitória no 1º turno
Em Juiz de Fora, bolsonaristas falam em vitória no 1º turno
Flávio Bolsonaro deixou a Santa Casa aos gritos de “Brasil” e “Primeiro turno”
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Um grupo de jovens zelosos espera na noite por notícias de Jair Bolsonaro na entrada do pronto-socorro da Santa Casa de Juiz de Fora. São militantes e partidários do candidato que possuem na sua maioria entre 20 e 30 anos.

Dentre eles, Junio Amaral, cabo da PM mineira e candidato a deputado federal pelo PSL. Ele acompanhou Bolsonaro desde sua chegada pela manhã a um clube na entrada da cidade. “A gente já acompanha ameaças há muito tempo. Algumas concretizadas, mas de pequeno porte como chute, soco e ovadas. São muito mais simbólicos. Mas hoje a gente teve uma tentativa clara de homicídio”, conta o jovem candidato e militante do grupo Direita Minas.

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Quando foi anunciado que o filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, sairia de encontro com o grupo de apoiadores e repórteres, o grupo se levantou e esperou. Candidato ao senado pelo partido do pai no Rio de Janeiro, ele apenas parou no meio do burburinho e disse: “Só um recado para esses bandidos que tentaram arruinar a vida de um pai de família, um cara que é esperança de milhões de brasileiros. Vocês acabaram de eleger o presidente, e vai ser no primeiro turno”. Depois disso, entrou em um carro e partiu aos gritos de “Brasil” e “Primeiro turno”.

Antes da saída de Flávio Bolsonaro, o deputado federal Fernando Francischini já havia falado com a imprensa presente no local enquanto partia rumo à delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora. “Nós exigimos agora uma investigação rigorosa. Investigação rigorosa não é apenas IML e ouvir as pessoas envolvidas. Investigação rigorosa são quebras de sigilo”, declarou o político paranaense que seguiu carreira como delegado na PF.

Segundo Francischini ainda, o diretor-geral da PF vai a Juiz de Fora acompanhar o caso pessoalmente e o alerta a ataques violentos se estende a outros concorrentes. “A democracia está sob risco para todos os candidatos nessa eleição”.

Na noite do atentado, Jair Bolsonaro divulgou um vídeo direto de seu leito no hospital entre seus apoiadores. Na mensagem, ele agradece aos médicos e enfermeiros e lamenta não poder assistir ao desfile de 7 de setembro no Rio de Janeiro. O senador Magno Malta (PR-ES) esteve com o candidato e também gravou um vídeo com Bolsonaro. “Mais grave do que ser lesionado é o pós-operatório. Mas o quadro dele está estabilizado”, considerou o político capixaba.

Sobre campanha, tanto Magno Malta quanto Franscischini consideraram que o repouso de Bolsonaro viria em primeiro lugar e que o próprio ato contra o candidato tornaria-se um catalisador na disputa pelo Planalto. “Isso que ocorreu tem a ver com a vontade permissiva de Deus. O que ocorreu com ele muda o quadro totalmente. Que independe dele, independe de marketeiro, independe de mentira, de pesquisa”, declarou Magno Malta 

Líder do PSL e vice-líder do Governo na Câmara, Francischini reforça a necessidade de repouso para seu candidato e vê uma possível transfiguração eleitoral de Jair Messias Bolsonaro. “Jair Bolsonaro não precisa estar na rua para fazer campanha. A campanha dele toma corpo sem ele precisar sair na rua. Ele de dentro do hospital vai ser um campeão de votos em qualquer eleição”, acredita o deputado paranaense. 

Suposta incitação 

O responsável pela captura e autuação imediata de Adélio Bispo de Oliveira, autor em flagrante do ataque a faca contra Bolsonaro, foi o cabo da PM mineira Cleines Oliveira. Candidato a deputado estadual em Minas Gerais pelo PSL, acompanha Jair Messias por cerca de três anos.

“Sempre onde que ele está dentro do estado de Minas Gerais, eu procuro deslocar. O que eu posso dizer que vem em mente agora são quatro lugares”, conta o oficial que no momento da manifestação não se encontrava em serviço. “Foi muito rápido. Mas acaba que ele estava num nível um pouco mais alto daqueles que estavam andando no asfalto e felizmente ele acabou caindo”, relembra cabo Cleines a captura de Adélio.

Além de Adélio, que encontra-se na Delegacia da Polícia Federal de Juiz de Fora, também foram autuados dois suspeitos de incitarem o ato. Segundo fontes do PSl juiz-forano, eram jovens que bebiam próximos à manifestação e um deles chama-se Bruno. A testemunha que apontou ambos os incitadores é Abraão Fernandes. 

Apoiador de Bolsonaro, Abraão foi destituído do cargo de conselheiro tutelar por meio de processo administrativo disciplinar devido envolvimento em diversas irregularidades. Ele também responde na justiça mineira por injúria racial contra uma estudante a qual teria chamado de “cor de bosta”, mas o processo penal encontra-se suspenso e em sigilo de justiça.

No dia seguinte, o delegado plantonista da Polícia Federal em Juiz de Fora declarou que os dois supostos incitadores foram apenas ouvidos como testemunhas do caso e liberados em seguida.

Colostomia

Apesar do tom cauteloso da noite do ataque, a manhã na Santa Casa foi marcada por um ritmo frenético. A tal transferência do candidato Jair Bolsonaro enfim se dava apesar das considerações de horas antes na noite anterior. Vítima de um único golpe que perfurou ambos intestinos, o político teve as perfurações do intestino delgado suturadas e uma colostomia aplicada ao cólon transverso de modo a impedir que fezes contaminem e infeccionem o corte daquela área. Jair Bolsonaro deve usar a colostomia por 2 a 3 meses até passar por cirurgia para tratar o corte da região.

Na madrugada de quinta para sexta, médicos do Hospital Albert Einstein já se encontravam na Santa Casa de Juiz de Fora para tratar da transferência de Bolsonaro. Às 8h30, ele saiu do hospital rumo ao aeroporto da Serrinha, onde pegou um jatinho para São Paulo. De acordo com a diretora médica da Santa Casa de Juiz de Fora, Eunice Dantas, o candidato reagiu bem às intervenções cirúrgicas e já apresentava quadro estável. “Todos os protocolos de prevenção a infecções foram tomados e nós acreditamos que ele possa ter uma rotina tranquila”, disse ela após a transferência.

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