Política

Jornal francês vê governo Bolsonaro sem rumo, apesar de eleição de aliados

A vitória ‘protege a curto prazo’ o presidente brasileiro de processos de impeachment, diz publicação

Jornal francês vê governo Bolsonaro sem rumo, apesar de eleição de aliados
Jornal francês vê governo Bolsonaro sem rumo, apesar de eleição de aliados
O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR
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As eleições de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco são analisadas nesta terça-feira 2 pelo jornal Les Echos, publicação de referência no meio empresarial francês. Jair Bolsonaro conseguiu colocar dois aliados na presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, o que o protege a curto prazo de processos de impeachment, diz o diário francês.

O principal ponto em comum entre os dois vencedores é que ambos contaram com o apoio explícito do chefe de Estado, explica o texto do correspondente em São Paulo, Thierry Ogier. Ele observa que as reformas econômicas tendem a tramitar mais depressa do que as pautas de costumes, mesmo se o governo não envia sinais claros do que pretende fazer.

É especialmente a chegada de Arthur Lira ao comando da Câmara que muda a situação. “Sua vitória oferece uma trégua para Jair Bolsonaro, fortemente criticado por sua polêmica gestão da epidemia de Covid-19, motivo de vários pedidos de impeachment”, informa o jornal francês, na medida em que cabe ao presidente da Câmara dos Deputados validar ou não esses pedidos. Les Echos salienta que a dupla vitória de aliados deve permitir que Bolsonaro acione seu programa para as próximas eleições.

“Mas que programa?”, indaga o diário francês. “O governo Bolsonaro parece ter perdido o gosto pelas grandes reformas econômicas ou privatizações”, constata a publicação. Alguns observadores evocam a falta de clareza do programa econômico do governo, apesar de o presidente do Senado ter apontado a importância de realizar algumas reformas que dividem a opinião pública.

Queda de popularidade

Analistas consultados pelo Les Echos estimam que o governo tem se comportado de forma errática em relação às reformas, sem manifestar claramente o que pretende fazer. Alguns projetos terão consequências dolorosas e caras em termos de popularidade, o que pode levar Bolsonaro a dar prioridade a pautas menos explosivas do ponto de vista do Planalto, como a ampliação do porte de armas e a autorização de atividades de mineração em terras indígenas.

Les Echos assinala que a popularidade de Bolsonaro despencou recentemente para 31% de opiniões favoráveis. “A gestão da epidemia é cada vez mais contestada, principalmente em Manaus, onde dezenas de pacientes morreram por falta de oxigênio nos hospitais”, aponta o Les Echos.

Outra razão para o declínio de Bolsonaro nas sondagens foi a interrupção do pagamento do auxílio emergencial aos mais pobres no início do ano. “As revelações sobre os gastos extravagantes do governo federal com alimentos no ano passado, incluindo € 2,3 milhões em leite condensado, também irritaram muitos brasileiros”, conclui a reportagem.

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